O Rapaz do Pijama às Riscas – John Boyne

Ao regressar da escola um dia, Bruno constata que as suas coisas estão a ser empacotadas. O seu pai tinha sido promovido no trabalho e toda a família tem de deixar a luxuosa casa onde vivia e mudar-se para outra cidade, onde Bruno não encontra ninguém com quem brincar nem nada para fazer. Pior do que isso, a nova casa é delimitada por uma vedação de arame que se estende a perder de vista e que o isola das pessoas que ele consegue ver, através da janela, do outro lado da vedação, as quais, curiosamente, usam todas um pijama às riscas. Como Bruno adora fazer explorações, certo dia, desobedecendo às ordens expressas do pai, resolve investigar até onde vai a vedação. É então que encontra um rapazinho mais ou menos da sua idade, vestido com o pijama às riscas que ele já tinha observado, e que em breve se torna o seu melhor amigo…

 Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para os 7º, 8º e 9º anos de escolaridade, destinado a leitura autónoma.

OPINIÃO:

Após a Leitura de «Os Filhos da Liberdade» e o «Leitor», regressei ao horror da segunda grande Guerra; mais propriamente à Alemanha Nazi.

Este O Rapaz do Pijama ás Riscas, não é propriamente um livro destinado a categoria de ” Adultos”, mas que deve ser lido não só por Adultos velhos e novos, como também por crianças, sendo-lhes em seguida explicadas muitas das coisas, que provavelmente não perceberiam dessa forma.

A história não é narrada pelo protagonista, mas é “vista” pelos olhos do leitor como se dos olhos  um rapaz de 9 anos, que nos leva a meditar várias vezes nas atitudes de  inocência de uma criança dessa idade. (década de 40). o livro não pretende contar os pormenores desses momentos que nos envergonham como homens  mas sim menciona-los levemente, como se fossem vistos e vividos pelos olhos de Bruno que nada sabe dos horrores que são cometidos pelo seu país.

O facto de ter nascido no seio de uma familía de classe alta, o simples facto de  se tratar de  uma criança, a quem não se dá explicações, e que está preparada  apenas para obedecer sem questionar, leva Bruno um irrequieto e travesso miúdo a descobrir o lado mais negro da raça humana.

Este livro petende (e consegue)  mostrar, que  no meio do horror e que mesmo sendo ensinados a odiar sem motivo, a amizade  pode nascer e crescer, tornando-se  tão sólida como uma rocha e mostrar aquilo que realmente é importante. 25 de Abril uma excelente data para o terminar esta leitura. « claro que tudo isto aconteceu à muito tempo e nada parecido poderá voltar a acontecer. Não nos dias de hoje, não na época em que vivemos» (Pág. 176)

Um final abrupto e extremamente inquietante que sem sombra de dúvidas vai ao encontro da critíca feita pelo Observer ” este livro não trará noites tranquilas”

CLASSIFICAÇÃO  

16 / 20   

 Literatura VS Cinema:

 O Rapaz do Pijama às Riscas foi adaptado ao Grande ecrã em 2007, estando a sua realização a cargo de Mark Herman que assinou também o argumento  A interpretação fica a cargo de Vera Farmiga, Jack Scanlon, Amber Beattie,  Zac Mattoo O’Brien, Domonkos Németh, Asa Butterfield e  David Thewlis. O texto ficou a cargo do próprio autor John Boyne

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7 thoughts on “O Rapaz do Pijama às Riscas – John Boyne

  1. Excelente livro, uma realidade contada numa versão prática mas que faz o leitor sentir e viver a historia.
    Recomendo a TODOS!!!

  2. Por favor, diz-me o que se pode aprender sobre o Holocausto da Segunda Guerra Mundial através da leitura deste livro?
    Obrigado

    1. Caro Rui, pela forma como me foi feita esta pergunta (desculpe-me se estiver enganado) respondo desta forma… O Rapaz do Pijama às Riscas é antes de mais nada um livro infantil, foi escrito para crianças, está catalogado como literatura infantil e por si só explica-se a inexistencia de todas as atrocidades cometidas neste periodo e nesta situação em particular. mas história roça um pouco no assunto. não sei se tem filhos pequenos, eu tenho e penso que concordará comigo, quando lhe digo, que os irei incitar lentamente à leitura, visto que sou da opinião que a leitura não devará ser impingida muito menos a crianças, devemos começar lentamente primeiro lendo-lhes, depois recomendar-lhes literatura adequada à sua idade e apaixão pelos livros e pela leitura vem depois (ou não.
      por muito que a realidade desta guerra e os objectivos que levaram a esta sangrenta e atroz crueldade que as palavras muitas vezes não arranjam outras palavras que expliquem tudo isto, não irei (eu) contar da forma mais clara e explicita aos meus filhos aquilo que se passou. A seu tempo, terei com certeza oportunidade de lhes contar aquilo que foi feito e por que foi feito.
      o artigo sobre este livro é uma opinião sobre o livro e a sua leitura, não pretendo com ele ensinar nada sobre o holocausto. uma vez mais é um livro que foi escrito para crianças e que pode (e deve) ser lid por adultos, como tal, as crianças têm tempo para crescer e conhecer esta monstruosa passagem da historia da raça humana. deixarei os meus filhos crescer na inocência do personagem bruno deste livro, que embora ficcionalmente tenho tomado lentamente consciência que estava do lado errado da barricada.
      espero também que não seja preciso passarem mais 60 anos para que expliquemos aos nossos filhos, que o povo que mais sofreu e foi perseguido neste periodo, fez e está a fazer o mesmo a outro povo, (embora de forma mais disfarçada) e apoiados supostamente pela nação mais “livre” e “democrática” do mundo.
      Parece que passados 60 anos não se aprendeu nada sobre este assunto, mas deixemos as crianças serem isso mesmo… crianças, terão uma vida inteira para descobrirem que são adultos e que a vida é a maior parte das vezes vivida dentro de um pijama às riscas.
      obrigado pelo seu comentário.

  3. Nunco Chaves,
    Eu ainda estou á procura de alguma coisa pra dizer face á sua resposta para o Sr. Rui.
    É de louvar a sua resposta muito bem escrita, objectiva e concreta.
    🙂
    Boas leituras!

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