(Ainda sobre…) O Rapaz do Pijama às Riscas

Após a Leitura de «Os Filhos da Liberdade» e «O Leitor», regressei ao horror da segunda grande Guerra; mais propriamente à Alemanha Nazi.

Este O Rapaz do Pijama ás Riscas, não é propriamente um livro destinado a categoria de ” Adultos”, mas que deve ser lido não só por Adultos velhos e novos, como também por crianças, sendo-lhes em seguida explicadas muitas das coisas, que provavelmente não perceberiam dessa forma.

A história não é narrada pelo protagonista, mas é “vista” pelos olhos do leitor como se dos olhos  um rapaz de 9 anos, que nos leva a meditar várias vezes nas atitudes de  inocência de uma criança dessa idade. (década de 40). o livro não pretende contar os pormenores desses momentos que nos envergonham como homens  mas sim menciona-los levemente, como se fossem vistos e vividos pelos olhos de Bruno que nada sabe dos horrores que são cometidos pelo seu país.

O facto de ter nascido no seio de uma familía de classe alta, o simples facto de  se tratar de  uma criança, a quem não se dá explicações, e que está preparada  apenas para obedecer sem questionar, leva Bruno um irrequieto e travesso miúdo a descobrir o lado mais negro da raça humana.

Este livro petende (e consegue)  mostrar, que  no meio do horror e que mesmo sendo ensinados a odiar sem motivo, a amizade  pode nascer e crescer, tornando-se  tão sólida como uma rocha e mostrar aquilo que realmente é importante. 25 de Abril uma excelente data para o terminar esta leitura. « claro que tudo isto aconteceu à muito tempo e nada parecido poderá voltar a acontecer. Não nos dias de hoje, não na época em que vivemos» (Pág. 176)

Um final abrupto e extremamente inquietante que sem sombra de dúvidas vai ao encontro da critíca feita pelo Observer ” este livro não trará noites tranquilas”  (Critica Pessoal ao Livro).

Por favor, diz-me o que se pode aprender sobre o Holocausto da Segunda Guerra Mundial através da leitura deste livro?
Obrigado 
(Rui Henriques in O Rapaz do Pijama às Riscas- 20/06/2010)

Caro Rui, pela forma como me foi feita esta pergunta (desculpe-me se estiver enganado) respondo desta forma… O Rapaz do Pijama às Riscas é antes de mais nada um livro infantil, foi escrito para crianças, está catalogado como literatura infantil e por si só explica-se a inexistencia de todas as atrocidades cometidas neste periodo e nesta situação em particular. mas história roça um pouco no assunto. não sei se tem filhos pequenos, eu tenho e penso que concordará comigo, quando lhe digo, que os irei incitar lentamente à leitura, visto que sou da opinião que a leitura não devará ser impingida muito menos a crianças, devemos começar lentamente primeiro lendo-lhes, depois recomendar-lhes literatura adequada à sua idade e apaixão pelos livros e pela leitura vem depois (ou não.
por muito que a realidade desta guerra e os objectivos que levaram a esta sangrenta e atroz crueldade que as palavras muitas vezes não arranjam outras palavras que expliquem tudo isto, não irei (eu) contar da forma mais clara e explicita aos meus filhos aquilo que se passou. A seu tempo, terei com certeza oportunidade de lhes contar aquilo que foi feito e por que foi feito.
o artigo sobre este livro é uma opinião sobre o livro e a sua leitura, não pretendo com ele ensinar nada sobre o holocausto. uma vez mais é um livro que foi escrito para crianças e que pode (e deve) ser lid por adultos, como tal, as crianças têm tempo para crescer e conhecer esta monstruosa passagem da historia da raça humana. deixarei os meus filhos crescer na inocência do personagem bruno deste livro, que embora ficcionalmente tenho tomado lentamente consciência que estava do lado errado da barricada.
espero também que não seja preciso passarem mais 60 anos para que expliquemos aos nossos filhos, que o povo que mais sofreu e foi perseguido neste periodo, fez e está a fazer o mesmo a outro povo, (embora de forma mais disfarçada) e apoiados supostamente pela nação mais “livre” e “democrática” do mundo.
Parece que passados 60 anos não se aprendeu nada sobre este assunto, mas deixemos as crianças serem isso mesmo… crianças, terão uma vida inteira para descobrirem que são adultos e que a vida é a maior parte das vezes vivida dentro de um pijama às riscas.
obrigado pelo seu comentário.

 (Manuel Cardoso in Os Meus Livros)  Nunca ninguém me há-de convencer que se fala demasiado do Holocausto Nazi. Relembrar estas situações, em que a maldade humana foi levada um extremo inimaginável, será sempre, a meu ver, uma necessidade. Para que a memória ainda possa evitar que a loucura de alguns seres humanos atinja estas proporções… A insanidade nazi provocou situações que, sem dúvida, serão sempre terreno fértil para escritores e cineastas. Infelizmente, na maior parte dos casos encaminhou-se esta base histórica para a exploração fácil da violência nos ecrans e até nos livros. Mas não tem de ser assim. Recentemente, O Leitor foi um exemplo magnífico de como ainda é possível fazer leituras profundamente humanas e ver perspectivas novas no contexto do Holocausto. E este é mais um exemplo.
O que este livro tem de mais interessante é, na minha opinião, o de nos mostrar o lado dos alemães na guerra. O nosso herói, Bruno, de nove anos, é filho do comandante de Auschwitz (Acho-Vil no dizer ingénuo da criança). O pai é um dos favoritos de Hitler, o Fuher (O Fúria para Bruno) e tenta esconder do jovem tudo o que se está a passar relativamente ao extermínio dos judeus. Assim, é por si próprio, nas suas explorações infantis, nas suas brincadeiras ingénuas que Bruno se vai aproximando da terrível verdade que o rodeia. Shamuel nada sabe porque nada lhe dizem, mas quem será realmente ignorante? A criança a quem nada se diz ou todos aqueles que julgam ser detentores das verdades absolutas e nada sabem dos outros, dos que consideram inferiores? A pior ignorância não será a que vem disfarçada de verdades inabaláveis? No campo da morte, junto à vedação que ele conhece pelo lado de fora, é Shamuel, o amigo do pijama às riscas que o vai acompanhar nessa horrível descoberta. Mas os dois meninos vivem mundos diametralmente opostos. No entanto, algo de monstruoso os irá encaminhar para um destino comum. Bruno é a criança inocente que, como tantas outras, é vista pelos adultos como um ser menor. E quantos de nós, adultos não caímos tantas vezes neste mesmo erro, de considerar a criança como um ser inferior, que não precisa de saber a verdade das coisas, de quem se pode esconder tudo?! Tanta ingenuidade, a nossa. A criança não é um adulto incompleto; e que bom seria se nós próprios conseguíssemos apreender de vez esta ideia. Junto à vedação, Bruno inveja Shamuel porque embora enclausurado, tem muitos amigos. Bruno, o menino rico, protegido e a quem nada falta é o menino infeliz e solitário. Mais um “recado” para nós: o que damos nós às nossas crianças? Dinheiro e mentiras? Gostava ainda de chamar a atenção para o final do livro. Considero-o absolutamente genial. Genial na forma como é construído, com um contexto de suspense que prende o leitor até ao fim mas também com uma carga simbólica extraordinária. Um final dramático e belo ao mesmo tempo. Porque na mais profunda tristeza também há beleza. Um livro genial. A par de O Leitor, trata-se de um dos melhores romances escritos nos últimos anos sobre este tema (infelizmente) sempre actual.

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