O Sétimo Véu – Rosa Lobato de Faria

O Sétimo VéuLar é onde se acende o lume e se partilha mesa e onde se dorme à noite o sono da infância.

Lar é onde se encontra a luz acesa quando se chega tarde.

Lar é onde os pequenos ruídos nos confortam: um estalar de madeiras, um ranger dos degraus, um sussurrar de cortinas.

Lar é onde não se discute a posição dos quadros, como se eles ali estivessem desde o princípio dos tempos.

Lar é onde a ponta desfiada do tapete, a mancha de humidade no tecto, o pequeno defeito no caixilho, são imutáveis como uma assinatura conhecida.

Lar é onde os objectos têm vida prórpia e as paredes nos contam histórias. Lar é onde cheira a bolos, a canela, a caramelo. Lar é onde nos amam.

 

Não é segredo para ninguém que sou fã assumido da escrita da saudosa Rosa Lobato Faria logo, um pouco suspeito para falar dos seus livros.

O mais recente vizinho dos livros da “Rosinha” aqui em casa é o sétimo véu que se encontra lado a lado com o prenúncio das águas, a estrela de Gonçalo Enes, a alma trocada, as esquinas do tempo, a trança de Inês e o pranto de Lúcifer.

Contado a várias vozes e em vários tempos, bem ao jeito de RLF. De novo o espaço e o tempo uma característica tão comum nos seus livros.

Joana a personagem central desta história sente um inexplicável sentimento de culpa num assunto que diz respeito á história da sua família, mas não sabe do que se trata até ao dia em que Mila a governanta da casa que esteve ao lado de várias gerações de mulheres na família lhe entrega uma carta selada, ecrita pela sua avó Júlia, momentos antes de se suicidar trinta anos antes.

Mila a narradora, encontra-se num lar de idosos onde desabafa com uma amiga a respeito da história desta familía que ela acompanhou desde sempre, ela que foi os olhos e os ouvidos da casa.

não irei contar mais pormenores desta história, senão irei estragar a surpresa de uma trama bem contada, bem imaginada… (quem já leu sabe do que falo).

De véu em véu, esta história é contada bem devagar até ao fim… até ao sétimo véu.

Um livro que toca sobretudo nos dramas familiares, nas paixões na inveja no amor e na falta dele… e que nos relembra que nunca é tarde para reparar um erro, a mentira (como se costuma dizer) tem perna curta, passe o tempo que passar a verdade virá sempre ao de cimo.

Uma história que me fez recordar o “Prenúncio das Águas” aquele que para mim continua a ser o melhor livro desta autora que disse um dia:  “Morrer é uma Coisa Fascinante”.

Gostei bastante e recomendo.

Sinopse: “Uma mulher procura a razão do seu inexplicável sentimento de culpa na história da sua família. Que memórias terá herdado, que circunstâncias poderão tê-la condicionado? Uma saga familiar, ao longo do último século, no discurso directo de várias narradoras. Um romance que atravessa o século XX português

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