O tempo entre costuras – Maria Dueñas

o tempo entre costurasFiquei imediatamente de olho neste romance assim  que os meus olhos leram a sua sinopse pela primeira vez.

Sou fã assumido deste género de narrativa e em especial sou fã de histórias de espionagem num dos periodos mais negros na história da Europa, a segunda grande guerra.

Lembrei-me rapidamente de um outro romance que li à uns anos, muito dentro do mesmo género, “Companhia de Estranhos” (Robert Wilson – Gradiva-2001/D.Quixote-2009) se bem que muito diferentes o romance de Wilson, fica muito á frente destas costuras alinhavadas por Dueñas no seu romance de estreia.

Não quero dizer com isto que não tenha gostado deste livro muito pelo contrário, mas achei que a força narrativa com que começou foi-se perdendo… recuperando quase no fim do livro e voltou a perde-la, dando um final (nem sim nem não) agridoce a este romance, que pessoalmente não faz jus ás críticas da imprensa. (opiniões).

O Tempo entre costuras relata o percurso da jovem Sira Quiroga uma aspirante a modista que vê de um dia para o outro a sua vida seguir um rumo improvavél, tudo graças a uma máquina de escrever que decide comprar juntamente com o noivo. Sira perde-se de amores com o vendedor da máquina e põe fim ao noivado. Estala a guerra civil em Espanha e Sira decide juntamente com Ramirez partirem para Marrocos em busca d alguma paz e prosperidade.

Chegando a Marrocos Sira é abandonada grávida e sem meios de subsistência terá de arranjar forma de sobreviver naquela terra estranha e tão longe de Madrid, é então que conhece uma trapaceira chamada Candelaria que lhe faz uma proposta que irá mudar o rumo das suas vidas. E assim começa a história, do qual não me alongarei muito mais, por haver quem ainda não tenha lido este romance.

Desengane-se quem pensa que vai encontar a habitual história de espiões, pois isso acontece ao fim de muitas páginas. Talvez pela minha expectativa neste ponto “O Tempo Entre Costuras” foi uma surpresa diferente, mas que vale a pena ser lida, pelo rigor com que a autora nos vai relatando o conturbado periodo da guerra civil espanhola, ao qual se junta o inicio da segunda guerra mundial e a todo o ambiente quase mágico vivido “pelos Espanhois” no protectorado em Marrocos. (Lembrando-me os Portugueses nesses paraísos que foram as colónias Ultra-marinas).

Crítica Exterior por: Fernando Sousa/ Público Ípsilon

Mulheres maiores num mundo menor

Assim resumida, a obra parece uma ficção entre colchetes e Mata Haris, uma marroquinaria com incursões na política. Mas não: é uma história de pessoas à margem da História, uma história de sobrevivências, no feminino, no pano de fundo de duas guerras, servida por uma escrita vinda de dentro, sem moldes, sem momentos lassos, sem engasgos, sem toleimas de estilo, e, é preciso dizer, sem rendilhados, que escorre e que se cola aos olhos.

“As personagens vivem num momento histórico e num mundo tão hostil, tão duro, tão difícil, que têm de desenvolver entre eles uma certa empatia para poderem ultrapassar essas condições; para poderem sobreviver. E por isso vão-se apoiando umas às outras”, explica Maria Dueñas.

Quer dizer, tudo o que se passa à volta é um “cenário”, um pano de fundo de cinzas e Guernicas que deixa em destaque o branco dos jaiques das mulheres, a alma colorida de Candelaria, a matrona da pensão de Tetuán, a alegria, o riso, o porte sedutor do monte de ossos que é Rosalinda, a amante de Juan Luis Beigbeder, o alto-comissário do Protectorado que mais tarde se tornará uma das vítimas de Serrano Suñer, o Cunhadísimo do Generalíssimo, figuras menores, muito menores, de uma epopeia que levou “uns quatro meses a imaginar, um ano a escrever e mais uns meses, à procura de fios soltos, a burilar”.

Como uma modista da prosa, não? Maria Dueñas, dentro de uma blusa de gaze cinzenta, ri-se. “Mais ou menos. Sim, cosi, fiz pespontos, essas coisas. Mas o que fiz mais foi seguir as minhas vozes interiores, os meus palpites”.

Não estamos portanto diante de um pretensão ensaística nem de uma trama complexa de interesses inconfessados. “Não sei nada de costura, tão presente aqui. Nunca pretendi escrever sobre História, porque não sou especialista. Nem sequer sobre espionagem, teria de me ter preparado de outra maneira”. A única preocupação que teve foi que o cenário não esmagasse nem os sons nem os actores.

Ouve-se Tetuán, o muezin a dizer o fayer, a oração da manhã; vêem-se mouras de jaiques e de babuchas, e mouros de cafetãs, as damas da elite estrangeira, ladys e Fraus, de veludos, chifons e organzas; sente-se o cheiro a suor e a açafrão dos bazares, o Nina Ricci das senhoras, o aroma do chá de hortelã; quase trincamos os pinchitos e o tajine de borrego. Nenhum acontecimento político, nem a guerra na península, nem os roncos de canhões, nem mesmo o chato do comissário Claúdio Vásquez, bulem com a serena luta da inocente Sira ou com os expedientes da amiga Candelaria.

Pressente-se até um certo ambiente de Casablanca, embora pareça que “só os jornalistas dão por isso”.

“O que essencialmente procurei foi manter o equilíbrio, de maneira que a História não fosse até ao fim um lastro, uma coisa pesada, que não entorpecesse a ficção”, diz.

Por tudo isto, “O Tempo entre Costuras” tornou-se um livro tão lido por mulheres como por homens. Por elas, pela força que se desprende das protagonistas, determinadas; por eles, porque “gostam de entrar no mundo das mulheres, por coisas que não conhecem; abre-se-lhes uma janela, por exemplo sobre o que elas pensam e como se relacionam entre si”. (…).

SINOPSE:
«O Tempo entre Costuras» é a história de Sira Quiroga, uma jovem modista empurrada pelo destino para um arriscado compromisso; sem aviso, os pespontos e alinhavos do seu ofício convertem-se na fachada para missões obscuras que a enleiam num mundo de glamour e paixões, riqueza e miséria mas também de vitórias e derrotas, de conspirações históricas e políticas, de espias.
Um romance de ritmo imparável, costurado de encontros e desencontros, que nos transporta, em descrições fiéis, pelos cenários de uma Madrid pró-Alemanha, dos enclaves de Tânger e Tetuán e de uma Lisboa cosmopolita repleta de oportunistas e refugiados sem rumo.

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