A Mão do Finado – Alfredo Hogan

Sobre o autor: Alfredo Possolo Hogan (1830-1865) nasceu e faleceu em Lisboa. Funcionário dos correios, cultivou a literatura negra, tornando-se um romancista e um dramaturgo bastante popular em Lisboa. Nas suas obras notam-se influências de Eugène Sue e Alexandre Dumas. Escreveu vários romances históricos, como Marco Túlio ou o Agente dos Jesuítas (1853), Mistérios de Lisboa (romance em 4 volumes, 1851), Dois Ângelos ou Um Casamento Forçado (romance em 2 volumes, 1851-1852), etc. Das peças de teatro, destacam-se: Os Dissipadores (1858), A Máscara Social (1861), Nem Tudo que Luz É Oiro (1861), A Vida em Lisboa (em parceria com Júlio César Machado, 1861), O Dia 1º de Dezembro de 1640 (1862), As Brasileiras; Segredos do Coração e O Colono. Foi-lhe atribuída a autoria do romance A Mão do Finado (1854), publicado anonimamente em Lisboa, pretendendo ser a continuação de O Conde de Monte Cristo de Alexandre Dumas.

Esta manhã em conversa com o Luis Pinto do Ler Y Criticar que terminou a leitura de “O Conde de Monte Cristo” (Alexandre Dumas) trocámos opiniões sobre a sua leitura e qual a opinião sobre o livro. Li o Conde de Monte Cristo á um bom par de anos e mais tarde voltei a lê-lo (fiquei agora com vontade de o reler uma vez mais). Perguntei ao Luis se sabia da existência de uma “suposta” continuação  chamada “A Mão do Finado” passo a explicar…

Aquando da releitura do livro de Dumas, creio que em 2005 ou 2006 tomei conhecimento que tinha sido escrita uma continuação, procurei desesperadamente por essa sequela mas ninguém sabia do que se tratava e decidi recorrer como faço à já alguns anos ao meu amigo Rui proprietário da Livraria Barateira em Lisboa.

O bom de ir a um Alfarrabista (que se preze) é que no meio de milhares de exemplares uns mais velhos que outros, encontramos “quase” sempre o que se procura. O Senhor Rui trepou escada acima e “subiu” até á últimas prateleiras onde se encontravam os dois volumes que compõem “A Mão do Finado”.

Soube mais tarde que Dumas sempre recusou a autoria deste livro, mas decidi lê-lo na mesma, esta é a reacção de quem leu “O Conde de Monte-Cristo” e nunca mais o esqueceu.

Após esta troca de opiniões sobre a obra de Dumas, voltei a lembrar-me de “A mão do finado” e após alguma pesquisa não descobri uma única edição igual aquela que possuo. Trata-se de uma edição da Guimarães & Cª Editores que terá saído  durante a década de 30 ou incicio dos anos 40. (mas existem outras edições na Minerva e na Lello & Irmãos) Pois antigamente os Livros não eram datados nas suas edições como hoje em dia. Decidi então digitalizar o livro em questão que é um pouco velhinho mas mais que isso é um objecto por quem tenho um sentimento muito especial, pois passei bastante tempo á procura de um exemplar.

 

Dei por mim a digitalizar alguns dos livros mais antigos que possuo alguns deles fora de circulação à muitos anos, outros como a “Lã e a Neve” ou a “Selva” de Ferreira de Castro. (agora finalmente reeditados) Uma edição de “Os Três Mosqueteiros” (também de Dumas) que possuo á mais de 20 anos, enfim  Foi uma tarde de sexta feira passada assim, entre livros “velhos” (digamos antigos). Existe ainda uma edição mais antiga sobre Edmund Dantés chamada “O filho do conde de Monte-Cristo” de um autor francês chamado Jules Lermina de quem voltarei a falar.

Mas voltando um pouco atrás e voltando a falar de “A Mão do Finado” descobri um artigo num site Brasileiro que exclarece a origem deste livro: Transcrevo aqui algumas linhas o restante artigo poderá ser lido aqui

*para uma melhor visualização das imagens basta clicar nas mesmas*

(…) A Mão do Finado foi publicado em 1854, em Lisboa. Schmidt esclarece que o verdadeiro autor do romance foi o português Alfredo Possolo Hogan (1830-1865). Consta que era funcionário dos Correios, apaixonado por literatura, cultivando especialmente o gosto pelo romance negro. Foi escritor popular emLisboa durante o Romantismo e foi influenciado pelas narrativas folhetinescas de AlexandreDumas e EugèneSue.

Além de romances, segundo a nota, ele usava o tempo livre para escrever comédias e peças teatrais. Certa vez, achando-se sem dinheiro, vai à Editora do Sr. Luís Correia da Cunha, onde eram editados romances em fascículos de Paul Féval, Xavier de Montépine uma série de O Conde de Monte Cristo, deDumas. Tem início o seguinte diálogo entre ambos:

“Por que não o edita? – Isso é outra coisa. Já pensei nessa possibilidade, mas tive de convir que meus fregueses preferem “O Conde de Monte Cristo”. Vende-se tudo, não há mais a medir! Vai reeditá-lo? – Vou, está claro. Mas estive a pensar numa continuação do Conde de Monte Cristo, produção particular aqui da casa… E quem poderá arcar com tamanha responsabilidade? – Você! – Eu? – Fez Hogan, sem poder acreditar no que ouvia. – Sim, você. Não é, por acaso, autor de romances do mesmo gênero, como “Os dois Angelos, ou Um casamento forçado?”. Se leu meus fascículos, não tem mais do que tomar os personagens e, com eles, compor o fim que falta ao romance de Alexandre Dumas. Publica-lo-ei nesta coleção e com a mesma assinatura do autor de Os Três Mosqueteiros. – Mas isso será uma contrafação! O autor prejudicado chamá-lo-á à barra dos tribunais! – Não creia nisso. AlexandreDumas, neste momento, está muito ocupado em provar que é ele próprio quem escreve os seus romances. Bacoreja-me até que ele vai apreciar devidamente este golpe de publicidade! – Está bem, aceito a incumbência, mas acontece que estou muito necessitado de três meias coroas”.*para uma melhor visualização das imagens clique para ampliá-las.

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4 thoughts on “A Mão do Finado – Alfredo Hogan

  1. Encontra mais informação aqui: http://www.pastichesdumas.com/php/fiche.php?id=23
    Esse site brasileiro retirou muitas das informações desta web página dedicada a Dumas e à sua obra e em tive o prazer de colaborar. Existem várias versões do final da Mão do Finado sendo a 1ª edição (1853) a unica completa em português. Posteriormente foi alterado esse final, em que praticamente morriam todos os personagens, para um final mais soft.

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