A Linha da Beleza – Alan Hollinghurst

VENCEDOR MAN BOOKER PRIZE 2004

a linha da beleza A acção de  ”A Linha da beleza” passa-se nos conturbados e inesquecíveis anos em que a Grã-Bretanha esteve sob o comando da Dama de Ferro (nem de propósito) essa incontornável figura que para o bem e para o mal é uma das mais importantes figuras mundiais do século XX.

Nick Guest (um trocadilho seguramente) é o “convidado”  desta estória

O livro inicia-se em 1983 e apresenta-nos o jovem Nick que vive em casa do deputado Gerald Fellden, Nick é um colega de Toby o filho mais velho do deputado e também  o melhor amigo e confidente de Catherine a filha mais nova. Ao longo de todo o livro não se percebe muito bem porque raio é que Nick vive em casa dos Fellden, o que se sabe é que o jovem paga uma renda mensal que à excêntrica e poderosa família Fellden não aquece nem arrefece. O facto é que Nick desfruta da casa a seu bel-prazer quase como se fosse sua, participa das actividades familiares, das recepções e dos grandes eventos dados por esta famosa família.

A época está de facto bem retratada pelo autor Alan Hollinghurst, principalmente no que diz respeito a uma certa aristocracia Britânica (tão senhora de si e tão sem graça) A hipocrisia desta classe política está bem presente neste livro e a veneração com que tratam Tatcher é de todo incompreensível. (ou não)

Nick deixa-se deslumbrar e facilmente entra num mundo onde abundam as festas o álcool e a cocaína. Um mundo onde todos os excessos são permitidos e nenhum lhe é vedado.

Detestei Nick Guest, que é descrito como o coitadinho da fita, o jovem gay licenciado em Oxford, apaixonado pela escrita de Henry James e que tenta vingar na vida.

Nick Guest não é um coitadinho, é um aproveitador nada ingénuo que sabe perfeitamente o que quer e para onde quer ir, demasiadamente promíscuo, (que nada tem a ver com a sua orientação sexual) usa e é usado pela “família adoptiva” que se serve dele como um objecto que quando deixa de ter utilidade é deitado fora. Nick tem pavor do meio humilde onde cresceu, tem vergonha dos pais e tenta ser e parecer aquilo que não é. deixa-se inclusivamente usar (prostituir) pelo milionário Wanni de quem aceita dinheiro e presentes e com quem mantém em segredo uma relação amorosa e muito duvidosa  ganhando com isso uma notoriedade social muito grande. Nick é (para mim) um enorme escroque.

Não irei revelar muito mais desta história para não correr o risco de estragar a “surpresa” de quem pretenda ainda ler este livro…( há alguém que eu sei que deve estar a sorrir neste momento não é Paula?) 🙂

Para mim a linha da beleza, foi um livro difícil, demasiadamente descritivo e pouco atraente. É um livro Inglês sem qualquer sombra de dúvida e onde muitos acharam piada eu achei um aborrecimento, provavelmente será o tal humor Inglês que uns entendem e outros não. Não retiro o mérito ao seu autor que descreve e bem o meio social predominante na história e na estória, a falsa modéstia com que os políticos em geral tratam “o povo” e a verdadeira hipocrisia destas ditas classes de elite que tentam descartar-se de quaisquer responsabilidade quando um dos “seus membros” mete a pata na poça. (Para mim) A Linha da Beleza é um livro demasiadamente cinzento e verdadeiramente chato. Não vai deixar saudades.

SINOPSE:
A vida do jovem Nick Guest muda irreversivelmente quando aceita passar uma temporada em casa de Toby, seu colega de faculdade e objecto da sua vã paixão. Oriundo de uma família da classe média, Nick vai ser iniciado, então, no mundo dos ricos e poderosos. Vivem -se os impetuosos anos 80, e no círculo do poder da Grã-Bretanha de Margaret Thatcher, onde a ganância é glorificada, Nick, o puro esteta, é um forasteiro, um intruso movido por algo bem diferente. Mas Nick adopta e é adoptado pela extravagante família de Toby, com quem embarca nos vícios da década: dinheiro, poder, sexo e cocaína; e a sua estadia na casa de Notting Hill parece prolongar-se indefinidamente. São tempos inebriantes e Nick rapidamente se adapta ao ritmo vertiginoso das festas e das viagens e à amoral sensação de nada lhe ser vedado. De facto, tudo parece ser possível; a decadência nunca fora tão divertida. Mas esta interminável busca da auto-satisfação tem um preço, e Nick apercebe-se demasiado tarde de que lhe vai custar tudo o que possui. Estamos já suficientemente instalados no novo milénio para permitir que a década de 1980 se assuma como uma era histórica distinta. Neste sentido, A Linha da Beleza é um marco no que de hábitos e costumes do século XX vai ficar para a História. Enquadrado por dois processos eleitorais que reforçaram a liderança de Margaret Thatcher, foca quatro extraordinários anos de euforia, mudança e tragédia. Emocionalmente denso, desarmantemente divertido, é um trabalho de fôlego da autoria de um dos mais brilhantes escritores de língua inglesa.

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10 thoughts on “A Linha da Beleza – Alan Hollinghurst

  1. Olá Nuno 🙂
    Realmente já estava a ver que ias revelar o livro todo! 😀
    Gostei do teu comentário, fiquei curiosa e vou ler brevemente, até porque é daqueles livros que me chamam sempre que passo pela prateleira… (entendes?)
    Hoje estive na Bertrand e li umas páginas de um dos livros do Paolini 🙂 confesso que parece interessante… mas ainda não foi desta 😉
    Quanto a George R.R. Martin, vou experimentar a escrita, mas não com uma saga, talvez um livro indivudual 😀
    Abraço

  2. Nuno,
    quando li a tua opinião fiquei com a sensação que já “vi” este livro.
    Não existe um filme com este história? Juraria que sim…
    Um abraço e bom fim-de-semana.

    1. Olá André existe uma mini-série sa BBC em 3 episódios que já passou penso que 2 vezes na RTP2 (a primeira vez em 2006) uma série excessivamente polémica por sinal.

  3. Estou neste momento a ler “O Filho do Desconhecido” de Alan Hollinghurst. Li 212 páginas e estou a ponderar parar. Não podia estar mais de acordo contigo na expressão “demasiadamente descritivo e pouco atraente”, não sei se lerei ainda mais de 300 páginas disto. Está muito bem escrito e quando começo até me deixo embalar, mas não escondo que me apetece largá-lo e pegar noutro…
    De certa maneira fiquei feliz por teres opinião semelhante, embora num livro diferente.

    1. Olá Márcia, talvez eu tenha tido demasiadas expectativas no autor, por vezes é perfeito, por vezes roça a futilidade!
      Mas pelos vistos o estilo mantém-se. Esperava mais, muito mais.

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