O Capitão Alatriste – Arturo Pérez-Reverte

A fazer lembrar (muito ao de leve) “Os Três Mosqueteiros” O Capitão Alastriste é primeira parte da série “As aventuras do Capitão Alatriste”.

Efectivamente muitos comparam Alatriste ao espectacular clássico escrito por Alexandre Dumas mas… só se for mesmo na questão de se tratar de uma história de espadachins à moda antiga ou na série de conspirações que se tecem nas várias cortes Europeias, nomeadamente na Espanhola (durante o reinado de Filipe IV) e na Inglesa.

De facto para quem leu “Os três Mosqueteiros” ou “Quinze anos depois” é impossível não fazer comparações…. embora a história de Dumas, faça vibrar muito mais os leitores pela acção e sobretudo pelos diálogos entre os personagens e os diálogos são (para mim) a grande diferença entre os dois livros, em Alatriste existem muito menos diálogos o que pode prejudicar um pouco a leitura inicialmente.

A primeira aventura de Alatriste é-nos narrada quase na totalidade por Iñigo Balboa Aguirre um jovem rapaz orfão de pai que terá lutado ao lado de Diego Alatriste e sucumbido na guerra. E através dos seus olhos vamos acompanhando o dia a dia do Capitão, que nem sequer é Capitão.

Embora no fundo Alatriste seja um assassino a soldo, não deixa de ser curioso que mantém alguns principios… não mata mulheres e crianças e mantém  sempre a sua palavra sejam as consequências boas ou más. (mas isso vai mudar).

Nesta aventura Alatriste é contratado por gente muito poderosa para liquidar dois cavalheiros Ingleses que entram discretamente em Espanha, tudo terá de ser feito de forma a que pareça um assalto e a única missão de Alatriste é liquidar estes dois homens e roubar-lhes importantes documentos que trazem consigo. Neste ponto (e uma vez mais) é visível o poder que a Igreja (naquela altura a Inquisição) detém sobre os homens e também sobre o soberano o jovem Rei Filipe IV.(a acção decorre em Madrid em 1620) Através do dissimulado Frei Emilio Bocanegra, vamos verificando as atrocidades e injustiças que se cometiam em nome de Deus.

Alatriste no entanto não é bem sucedido na sua missão ( e agora não posso contar mais nada, para não estragar a surpresa de quem possa ainda não ter lido o livro).

A Espanha (daquela altura) uma das nações mais poderosas do mundo à semelhança de Portugal é ricamente descrita por Reverte e é notável o trabalho de pesquisa que não deve ter sido fácil. No entanto para aqueles que procuram uma verdadeira aventura de capa e espada, não a vão encontrar aqui, o excesso narrativo dos costumes e da época, retiram um pouco o folego e emoção de uma verdadeira aventura. Esperemos que isso venha a mudar nos próximos livros.

Das aventuras do capitão Alatriste, fazem ainda parte Limpeza de Sangue (1997), O Sol de Breda (1998), O ouro do Rei (2000), O Cavaleiro do gibão amarelo (2003), Corsários do Levante (2006) e A ponte dos assassinos (2011)

Sinopse:

O capitão Alatriste é um espadachim a soldo que se movimenta no submundo da decadente corte espanhola do século XVII. Valente como poucos, aprendeu a combater na Flandres ao serviço do exército espanhol, mas, agora, as lutas são outras: entre vielas e tabernas, desafia perigosos assassinos, conspiradores e, até, a Santa Inquisição.
Rodeado de personagens cativantes, como o seu pajem Iñigo Balboa, o poeta subversivo Francisco de Quevedo, o inquisidor frei Emílio Bocanegra, o assassino Malatesta ou o diabólico secretário do rei Luis de Alquézar, o capitão Alatriste vê-se envolvido nas intrigas e conspirações que caracterizam a Madrid do século XVII. É uma época de profundas convulsões geradas pelo envolvimento, por ordem do rei Filipe IV, em diversas guerras desastrosas.
A série do capitão Alatriste, criada em 1996, é uma homenagem aos livros de aventuras, como por exemplo Os Três Mosqueteiros, que marcaram a iniciação à leitura de sucessivas gerações. Em dez anos, a série “Alatriste” já vendeu mais de cinco milhões de exemplares em todo o mundo.

Saiba mais sobre o Capitão Alatriste e os seu autor em :

http://www.perezreverte.com/

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2 comments

  1. Li o livro recentemente e gostei bastante. O que tem menos em aventura ganha em rigor histórico, já que a grande maioria das personagens são verídicas. Outra coisa que na altura também li, é que Reverte escreveu esta série de livros ao constatar que, no livro de História da sua filha, o perído filipino (tão fértil em mudanças, guerras, etc.) ocupava apenas cerca de página e meia… 🙂

    1. Olá Teté…. É bem verdade, também li algo acerca do motivo porque Reverte começou a ecrever “As aventuras do Cap. Alatriste”. E de facto o rigor histórico é de louvar.

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