Recordar Jorge Amado

Comemora-se hoje o centenário do nascimento daquele que muitos consideram o melhor escritor Brasileiro de todos os tempos. O eterno candidato ao Nobel partiu em 2001, mas deixou um vasto mundo que continua a ser descoberto pelas novas gerações de leitores.

As Adaptações televisivas e cinematográficas das obras do autor são memoráveis e inesquecíveis, quem poderá esquecer Gabriela, Cravo e Canela, a primeira novela da Globo transmitida em Portugal em 1978? (novela essa que voltará muito em breve aos ecrãs da SIC, agora numa nova adaptação). Tieta do Agreste, Dona Flor e os seus dois Maridos, Tenda dos Milagres, Mar Morto, Teresa Baptista, e muito recentemente um dos seus maiores êxitos, Capitães de Areia.

Jorge Amado nasceu a 10 de Agosto de 1912, na fazenda Auricídia, distrito de Ferradas, município de Itabuna, sul do Estado da Bahia. Filho do fazendeiro de cacau João Amado de Faria e de Eulália Leal Amado. Com um ano de idade, foi para Ilhéus, onde passou a infância. Já em Salvador, fez os estudos secundários no Colégio António Vieira e no Ginásio Ipiranga. Neste período, começou a trabalhar em jornais e a participar na vida literária local, sendo um dos fundadores da Academia dos Rebeldes.

Publicou o seu primeiro romance, O País do Carnaval, em 1931. Casou-se em 1933, com Matilde Garcia Rosa, com quem teve uma filha, Lila. Nesse ano publicou seu segundo romance, Cacau. Em 1945, foi eleito membro da Assembleia Nacional Constituinte, pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), tendo sido o deputado federal mais votado do Estado de São Paulo. Jorge Amado foi o autor da lei (que continua em vigor até hoje) que assegura o direito à liberdade de culto religioso. Nesse mesmo ano, casou-se com Zélia Gattai. Em 1947, ano do nascimento de João Jorge, seu primeiro filho com Zélia, o PCB foi declarado ilegal e seus membros perseguidos e presos. Jorge teve que se exilar com a família na França, onde ficou até 1950, quando foi expulso. Em 1949, morreu no Rio de Janeiro sua filha Lila. Entre 1950 e 1952, viveu em Praga, onde nasceu sua filha Paloma.

Regressou ao Brasil em 1955, afastou-se da militância política, embora tenha continuado nos quadros do Partido Comunista. Dedicou-se, a partir de então, inteiramente à literatura. Em 6 de Abril de 1961, foi convidado para a cadeira de número 23, da Academia Brasileira de Letras, que tem por patrono José de Alencar, e por primeiro ocupante, Machado de Assis. A obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba em várias partes do Brasil. Os seus livros foram traduzidos em 49 idiomas, existindo também exemplares em braille e em formato de áudio-livro.

Jorge Amado morreu em Salvador, no dia 6 de Agosto de 2001. O corpo foi cremado e as suas cinzas enterradas no jardim da sua residência, na Rua Alagoinhas, no boémio bairro do Rio Vermelho, no dia em que completaria 89 anos.

A obra de Jorge Amado recebeu diversos prémios nacionais e internacionais, entre os quais se destacam: Stalin da Paz (União Soviética, 1951), Latinidade (França, 1971), Nonino (Itália, 1982), Dimitrov (Bulgária, 1989), Pablo Neruda (Rússia, 1989), Etruria de Literatura (Itália, 1989), Cino Del Duca (França, 1990), Mediterrâneo (Itália, 1990), Vitaliano Brancatti (Itália, 1995), Luís de Camões (Brasil, Portugal, 1995), Jabuti (Brasil, 1959, 1995) e Ministério da Cultura (Brasil, 1997).

Recebeu também títulos de Comendador e de Grande Oficial, nas ordens da Venezuela, França, Espanha, Portugal, Chile e Argentina, além de ter sido feito Doutor Honoris Causa em 10 universidades, no Brasil, Itália, França, Portugal e Israel. O título de Doutor pela Sorbonne, na França, foi o último que recebeu pessoalmente, em 1998, em sua última viagem a Paris, quando já estava doente. O escritor tinha um carinho especial pelo título de Obá, posto civil que exercia no Ilê Axé Opô Afonjá, na Bahia.

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