O Prisioneiro do Céu – Carlos Ruiz Zafón

o prisioneiro do ceuSe ao lermos “O Prisioneiro do Céu” não soubéssemos que existe um antes e existirá um depois… este seria daqueles livros que seria lido, guardado e… pouco mais.

A grandiosidade do enredo se comparada com os anteriores “A Sombra do Vento” e “O Jogo do Anjo” fica muito aquém das expectativas… e é quase impossível ao leitor não fazer comparações com os anteriores livros que conseguiram atingir um patamar muito elevado. Embora possa ser lido de forma independente  de “A Sombra do Vento” e “O Jogo do Anjo”  continua a existir um antes e um depois…

A série “Cemitério dos Livros Esquecidos” que tem enfeitiçado todos os leitores que embarcaram nesta viagem, traz-nos de volta os dois heróis de “A Sombra do Vento” Daniel Sempere e Fermín Ferrero de Torres, numa espécie de dejá-vu, demasiadamente rebuscado e previsível.

O protagonista deste novo romance dividido em 3 actos é sem dúvida Fermín “O homem que renasceu dos mortos” a história é contada pelo próprio. Aliás ela é contada a Daniel. Os acontecimento são despoletados a partir do momento em que um misterioso homem entra na livraria dos Sempere em busca de Férmín. Como não o encontra, deixa um recado e assina apenas como 13.

Curioso e inquieto (como sempre), Daniel decide seguir o estranho homem. É aqui que são introduzidos outros personagens bem caricatos ao qual Zafón já nos habituou antes. É o caso do falsificador Oswaldo e também de Luisito.

Como já referi o grande protagonista desta história é Fermín… não me irei alongar muito mais, para não estragar a surpresa de quem ainda não tenha lido este livro (haverá ainda alguém que ainda não o tenha feito)? Mas lanço daqui uma questão a quem ainda não o leu… Terá sido mesmo uma coincidência o cruzar de Fermín e Daniel em “A Sombra do Vento”? Este livro responde a essa pergunta.

O grande mistério deste novo romance é sem dúvida o homem que responde apenas por “13”. (O factor mistério, continua muito presente nas obras de Zafón e são mesmo uma das chaves para o sucesso deste escritor).

Em “O Prisioneiro do Céu” reencontramos também dois conhecidos: Julian Carax (A Sombra do Vento) que intervém logo no inicio da história, é curioso e dá que pensar na data que é referida, 1992… o que quer dizer que Julian Carax sobreviveu ao antes e parece que irá sobreviver ao depois. (e mais não posso dizer)

Também David Martín (O Jogo do Anjo) reaparece neste Prisioneiro do Céu… 🙂 um livro interessante para quem tem acompanhado esta aventura, mas que pessoalmente… das duas uma ou Zafón irá surpreender num golpe de genialidade no próximo volume (supostamente o último da série) ou está tudo dito… Haverá ainda alguém que não saiba quem é Julian Carax?

Até lá temos mesmo de esperar e desesperar pelo próximo livro, que segundo o autor irá demorar menos tempo do que este. de qualquer das formas, embora tenha sido um prazer continuar esta aventura, esperava muito mais deste livro.

 Sinopse: Barcelona, 1957. Daniel Sempere e o amigo Fermín, os heróis de A Sombra do Vento, regressam à aventura, para enfrentar o maior desafio das suas vidas. Quando tudo lhes começava a sorrir, uma inquietante personagem visita a livraria de Sempere e ameaça revelar um terrível segredo, enterrado há duas décadas na obscura memória da cidade. Ao conhecer a verdade, Daniel vai concluir que o seu destino o arrasta inexoravelmente a confrontar-se com a maior das sombras: a que está a crescer dentro de si.

Transbordante de intriga e de emoção, O Prisioneiro do Céu é um romance magistral, que o vai emocionar como da primeira vez, onde os fios de A Sombra do Vento e de O Jogo do Anjo convergem através do feitiço da literatura e nos conduzem ao enigma que se esconde no coração de o Cemitério dos Livros Esquecidos.

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7 thoughts on “O Prisioneiro do Céu – Carlos Ruiz Zafón

  1. Olá Nuno
    estou a acabar de ler este livro e tenho exatamente a mesma opinião que tu. Os dois livros anteriuores eram muito mais fortes, muito mais intensos e elaborados. Este é fraquinho: o ritmo narrativo é lento, pastoso e até o fortissimo personagem que é Fermin perde “gás” neste livro.
    Um decepção embora continue a ser um livro de leitura agradável e rápida.

  2. Bom, eu ainda não li este “O Prisioneiro do Céu”. Confesso que a tua opinião me deixou um pouco triste pois espero muito deste livro, ainda por cima Fermin é das minhas personagens favoritas…bom, vamos ver… quando ler…

    1. Olá Márcia.
      É um livro muito ao género de Zafón… ou não fosse uma continuação, (neste caso uma antecipação da história…) Mas se comparado com os seus dois antecessores… e é muito difícil não ffazer uma comparação!
      É o grande problema, quando um autor atinge fasquias demasiadamente altas, o público quer mais e torna-se muito mais exigente e crítico.

  3. Olá,

    exelente opinião. Como referi na resposta ao comentário postado no meu blog, concordo em absoluto com o que foi dito.
    Gostei em especial das questões colocadas na opinião, com grande foco em Julian Carax. Ora, também achei muito interessante e quiçá a parte mais misteriosa deste livro a página escrita logo no inicio por Carax. Quando diz, “Haverá ainda alguém que não saiba quem é Julian Carax?”…deu-me que pensar. Primeiro porque ainda não tinha pensado que poderia haver algo por trás do que já foi referido sobre a sua identidade, tão explorada em “A Sombra do Vento”; segundo, porque é uma pergunta muito boa e à qual não tendo a certeza, e tendo em conta a data (1992) e a editora referida, pergunto-me, poderá ser o Martín? (sinceramente nunca me tinha passado tal pela cabeça, uma vez que os passados/infâncias de ambas as personagens foram explicadas)

    Boas leituras

    1. Olá Maria, bem vinda ao Página a Página. de facto dão que pensar estas questões. Pessoalmente penso que Zafón já respondeu à questão, mas logo a seguir põe-se outra questão: “não será isso Óbvio demais”???
      Dei especial atenção ao final do teu comentário (passados/Infâncias) foram explicados…. e o futuro?
      Eu acho que sim… que o Martín será o Julian Carax… Daniel, não o conheceu no periodo de “O Jogo do Anjo”
      Fermín só o conheceu na cadeia, ainda Daniel não era nascido. Penso que não se encontraram no periodo de O Jogo do Anjo….
      Mas posso estar errado… veremos como Zafón irá terminar esta aventura.

      1. Obrigada, bem vindo também ao O Imaginário dos Livros.
        Se tal acontecer vai ser, mesmo podendo ser obvio, um golpe de mestre. Ora, Julian nasceu da sua mae e do Aldaya, nunca ficando a saber de tal, acreditando sempre que era filho do chapeleiro, que morreu velho e em casa. A mãe acabou por ir para a Argentina onde conheceu outro homem. Em termos parentais este é o passado de Carax.
        David nasceu de uma mãe que praticamente o abandonou, dando-o ao pai para o criar. Este morreu assassinado.
        Têm um passado muito diferente. A não ser que Carax tenha dado a si mesmo uma nova identidade, David Martin, bem como uma história. Mas, David Martin era conhecido dos Sempere. Apesar do pai de Daniel nunca ter visto Carax em A Sombra do Vento para provar que este seria o Martin que tinha conhecido.
        Sim, não se encontrarm no periodo de O Jogo do Anjo.

        No que refere a futuro no teu comentário, se o Carax for David, e expeculando, depois de Carax ter fugido (depois do final de A Sombra do Vento), e reeventado a sua história. A bem ver, tudo é muito estranho em O Jogo do Anjo. Com o relato de Fermín pode-se dizer que o final do Jogo do Anjo é diferente do que aconteceu a Martin na realidade. Praticamente foi inventado pelo Martin, pois ele não foi para praia alguma, mas sim para a prisão e não escreveu a Isabella.

        É algo que gosto de fazer, expecular sobre factos que os livros apresentam, mistérios que estão no seu conteudo. Pensar em teorias, que é o que se está a fazer aqui.

        Podes explicar melhor o porquê da tua teoria?

  4. Sou fã do Zafón! Ele me conquistou com A Sombra do Vento, O prisioneiro do céu e Marina. Não sabia que O Jogo do anjo também fazia parte desta coleção do Cemitério dos Livros esquecidos, vou correndo comprar. Fermín Romero de Torres é meu personagem favorito, seus cometários me fazem rir!

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