20 Anos de Televisão Privada – Felisbela Lopes

A professora Felisbela Lopes, da Universidade do Minho, lançou o livro “Vinte anos de Televisão Privada em Portugal”, que contem 20 entrevistas a figuras políticas e empresariais que comandaram o entretenimento, informação e regulação da TV privada em Portugal. A obra tem 288 páginas e é editada pela Guerra e Paz.

Sinopse
Nos vinte anos que se somam ao aparecimento do primeiro canal privado, a televisão tornou-se um extraordinário agente de mudança: mudou o país que somos, mudou o panorama audiovisual português, mudou o entretenimento e as indústrias culturais, mudou o jornalismo, mudou a tecnologia, mudou-nos enquanto cidadãos. Neste livro, recorda-se e interpreta-se parte daquilo que foram estes vinte anos de televisão privada em Portugal, entrevistando vinte personalidades que tiveram responsabilidades ao nível político, empresarial, do entretenimento, da informação, da regulação… Eis aqui pedaços da História da TV. Em discurso directo.

Testemunhos de:
Aníbal Cavaco Silva; Alberto Arons de Carvalho; Nuno Morais Sarmento; Miguel Relvas; Francisco Pinto Balsemão; Miguel Paes do Amaral; Guilherme Costa; José Eduardo Moniz; Luís Marques; António Luís Marinho; António Rego; Alcides Vieira; José Alberto Carvalho; Nuno Santos; Júlia Pinheiro; Piet Hein Bakker; Adriano Luz; Marcelo Rebelo de Sousa; José Manuel Paquete de Oliveira; José Alberto Azeredo Lopes.

Felisbela Lopes – nota biográfica
Professora associada do Departamento de Ciências da Comunicação do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, na qual é também pró-reitora para a Comunicação e Imagem. É doutorada em Informação Televisiva e investigadora principal em projetos nas áreas de Jornalismo Televisivo e Comunicação na Saúde. Além de presença regular no espaço televisivo, é autora de dezenas de artigos e livros, entre os quais se destacam “A TV do Real” (Minerva, 2008), “A TV das Elites” (Campo das Letras, 2007) e “O Telejornal e o Serviço Público” (Minerva, 1999). (Via Universidade do Minho)

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  “O início da década de 90 marca uma mudança do paradigma do jornalismo em Portugal. Há 20 anos tínhamos o início do Público, da TSF, do Independente. A SIC aparece no caldo desta afirmação da comunicação social como contrapoder, sendo histórica a sua influência no jornalismo televisivo, que vai afetar primeiro a RTP, e depois a TVI”, sublinha Felisbela Lopes, docente de Ciências da Comunicação na Universidade do Minho e autora do livro “20 anos de televisão privada em Portugal”.

O nascimento da SIC em 06 de outubro de 1992 representou “uma gigantesca pedrada no charco”, na opinião de José Azeredo Lopes, ex-presidente da Entidade para a Comunicação Social (ERC).

“Primeiro, porque pela primeira vez o espaço televisivo deixava de ser um exclusivo do serviço público; em segundo lugar, porque rapidamente se percebeu que, para construir o seu espaço próprio no mercado, a SIC iria recorrer a produtos televisivos que a RTP – então, bem mais conservadora – até aí não tinha tido vontade de utilizar; terceiro, porque ia haver concorrência, com os efeitos em cascata que essa nova realidade implicava; quarto, e não menos importante, porque se criavam finalmente condições para, por exemplo, um pluralismo informativo”, sintetiza Azeredo Lopes.

A SIC vem trazer “maior pluralismo na informação”, assinala também Joaquim Vieira, presidente do Observatório de Imprensa. “A RTP, responsável pelo serviço público de televisão, foi influenciada a fazer melhor, com menos meios e com meios mais ágeis. Tentou também ir atrás do gosto popular, até porque as audiências passaram a ser determinantes, pelo menos, para a RTP1”, assinala o jornalista.

Ora, esta tentação por “ir atrás do gosto popular”, estimulada pela vertigem das audiências, é o maior pecado que Manuel Falcão imputa à RTP. O diretor geral da agência Nova Expressão e ex-diretor de programas da RTP2 considera que, “infelizmente, a RTP, em vez do caminho da complementaridade, seguiu e incentivou o caminho da concorrência. Entrou na guerra de audiências e na contraprogramação e esse foi o princípio do fim do serviço público de televisão”.

Nessa época, sublinha ainda Falcão, a RTP “inflacionou preços no futebol, promoveu a informação-espetáculo, tudo para manter audiências e tentar travar o crescimento das televisões privadas. E o mais curioso é que tudo isso foi muito bem feito e obteve resultados durante uns anos. Deixou marcas no código genético da estação e deturpou o que era o entendimento do serviço público”.

José Azeredo Lopes pensa que “as coisas estão mais claras” hoje, no que diz respeito ao serviço público de televisão. Porém, receia que “este ponto de equilíbrio seja muito depressa posto em causa (mais uma vez), e pelas piores razões: o mercado publicitário vai-se comprimindo a níveis inimagináveis; a incerteza sobre o destino da RTP vai tolhendo decisões e estratégias que não sejam de curtíssimo prazo”.

“E para compor o `bouquet`, não estou nada certo de que as coisas melhorem a curto ou médio prazo”, diz ainda Azeredo Lopes. “Pode perfeitamente suceder que, com uma oferta muito maior do que há vinte anos, caminhemos para um universo do audiovisual menos diversificado, de menor qualidade, e com uma informação exangue pela falta de meios”, vaticina o especialista. (Via RTP)

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2 thoughts on “20 Anos de Televisão Privada – Felisbela Lopes

  1. OLá Nuno, sou a Rita e estou a fazer um relatório de estágio para concluir o meu mestrado em Jornalismo. Numa busca sobre informação para completar o capítulo sobre a sic, deparei-me com este texto teu sobre o livro da Felisbela Lopes. Durante o teu texto vais fazendo referência a comentários de Azeredo Lopes. Podes-me adiantar onde os arranjaste? Estava interessada em ler mais para completar o meu trabalho. Responde, se faz favor, para o e-mail ana.teixeira1991@gmail.com. Obrigada

    1. Olá Rita Bom Dia.
      Acerca da questão que me colocaste em relação ao livro da Professora Felisbela Lopes, não é uma edição muito antiga (2012), creio que arranjarás facilmente através de uma qualquer livraria (creio que a Bertrand ainda os tem) senão sempre poderás encomendar.
      No entanto existem vários livros da mesma autora dedicados ao tema, que seria bom consultares.
      Poderás sempre através de uma boa biblioteca, requisitar os livros e fotocopiar (para o teu trabalho).
      Deixo-te aqui o link para a página da Wook, que para além deste, tem ainda outros livros da autora, dedicados quase todos ao tema.
      http://www.wook.pt/authors/detail/id/25024

      Espero que a minha ajuda tenha sido útil.

      Boas Leituras

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