Mo Yan Nobel de Literatura 2012

O escritor chinês Mo Yan, é o 109º laureado com o Prémio Nobel de Literatura, o mais alto galardão que um escritor pode ambicionar nesta área. Mo Yan é o segundo escritor chinês a receber o Nobel. Até agora Gao Xingjian era o único representante da China a ganhar este prémio foi em 2000.

Em Portugal foi publicado em 2007 o livro “Peito grande, ancas largas”, traduzido por João Martins e editado pela Ulisseia. publicado na China em 1995, causou grande controvérsia. Algum conteúdo de teor sexual e o facto de não retratar uma versão da luta de classes consentânea com os cânones do Partido Comunista Chinês, obrigaram Mo Yan a escrever uma autocrítica ao seu próprio livro, e, mais tarde, a retirá-lo de circulação. Ainda assim, inúmeros exemplares continuam a circular clandestinamente.Num país onde os homens dominam, este é um romance épico sobre as mulheres. Sugerido no próprio título, o corpo feminino serve como imagem e metáfora ao livro. A protagonista nasce em 1900 e casa-se com 17 anos. Mãe de 9 filhos, apenas o mais novo, é rapaz. Jintong é inseguro e fraco, contrastando com as 8 irmãs, fortes e corajosas. Cada um dos 6 capítulos representa um período, desde o fim da dinastia Qing, passando pela invasão japonesa, à guerra civil, à revolução cultural e aos anos pós Mao.Um romance que percorre e retrata a China do último século através da vida de uma família em que os seres verdadeiramente fortes e corajosos são as mulheres.

Nascido em 1956, Mo Yan é um dos escritores chineses contemporâneos mais publicados fora da China, nomeadamente no Japão, França, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos.

“Ele é o mais qualificado escritor chinês para ganhar o Nobel”, disse Yang Xiaobin, um poeta e critico citado hoje por um jornal de Pequim e que há vários anos vinha “recomendando” a atribuição do prémio a Mo Yan.

Os romances do escritor chinês galardoado hoje com o Prémio Nobel da Literatura, estão enraizados na China rural, onde nasceu, mas revelam também influências do “realismo mágico” e outras correntes ocidentais, dizem críticos e tradutores.

William Faulkner, Gabriel Garcia Marquez, Oe Kenzaburo e Rabelais são os autores preferidos de Mo Yan, disse o professor norte-americano Howard Goldblatt, um dos mais conhecidos tradutores de literatura chinesa, entre os quais três títulos do autor distinguido agora pela Academia Sueca.

Mo Yan (pseudónimo literário de Guan Moye) nasceu na província de Shandong, leste da China, “no seio de uma família pobre” e “foi forçado a abandonar a escola primária durante a Revolução Cultural (1966-76)”, diz o Dicionário Biográfico de Modernos Escritores Chineses, publicado na década de 1990.

Segundo a mesma biografia, o futuro escritor tornou-se então camponês e aos 20 anos, ingressou no Exército, onde “serviu como funcionário de segurança e instrutor político e de propaganda”.

A sua primeira obra literária, um conto que começou a escrever enquanto ainda era soldado, saiu em 1981. Seis anos depois publicou um romance de grande sucesso, “Red Sorghum”, que seria adaptado ao cinema por
Zhang Yimou. O filme, com Gong Li e Jiang Wen, ganhou o Urso de Ouro do Festival Internacional de Berlim em 1988.

Entre os títulos que Mo Yan publicou a seguir figuram The Republic of Wine” (2000), “Big Breasts and Wide Hips” (2005) e “Life and Death are Wearinng me out”, todos traduzidos por Howard Golblatt, professor de chinês na University of Notre Dame, nos Estados Unidos.

Em 2011, Mo Yan ganhou o Premio Mao Dun, o mais importante galardão literário oficial do país, e foi eleito vice-presidente da Associação dos Escritores da China.

O seu mais recente romance, “Frog”, aborda um tema especialmente sensível: a prática de abortos forçados na China devido à drástica política de controlo da natalidade imposta há três décadas sob a fórmula “um casal, um filho”.

“Em todos os países há certas restrições à escrita”, disse o autor numa entrevista concedida há dois anos à revista Time. (Via Sapo)

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3 thoughts on “Mo Yan Nobel de Literatura 2012

  1. Curioso, quando o livro “Peito Grande Ancas Largas” foi editado cá tive logo interesse em ler. Nunca se proporcionou. E agora dificilmente o encontrarei a “preço de amigo”.

    1. Isso é certo Márcia…. talvez o encontres em algum alfarrabista, ou feira de usados, que por regra passam ao lado.
      Pois nas livrarias, com certeza que já foram retirados e os preços alterados, é sempre assim.

  2. Certamente até estarão a preparar uma nova edição…tenho pena pois de certeza que o teria conseguido como pechincha, lembro-me que passou completamente ao lado quando foi editado. Aconteceu algo semelhante com a Herta Muller, numa Feira do Livro a extinta Difel dava livros dela na compra de outros…

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