A Trama da Estrela – Vasco Ricardo

a trama da estrelaLi este livro o ano passado, e iniciei a sua leitura com “alguma expectativa” li várias opiniões e fiquei com alguma curiosidade. A sinopse é muito interessante, (já sabem que sou fã de tramas e teorias da conspiração) decidi comprá-lo e o mesmo foi-me enviado pelo autor. Vasco Ricardo (com quem fui trocando posteriormente algumas ideias)

Não sei bem definir o “público alvo” deste livro, se por vezes o livro parece ser destinado a adultos, (não apenas pelo tema, mas pelo desenvolvimento do mesmo) outras vezes ficamos com a sensação de estar a ler o típico livro de aventuras juvenis. A estória foi bem pensada e teria pernas para andar se não fosse o facto de estar mal desenvolvida (leia-se desenvolvida a correr) na maioria das partes, tonando-se repetitiva, previsível e algo ingénua. Noutras partes porém, nota-se algum trabalho de pesquisa e alguma vivência e experiência por parte do autor. Nota-se também um enorme esforço em manter uma narrativa coerente, Vasco Ricardo sabe para onde quer ir e o que quer contar.  mas nas partes que realmente poderiam ser empolgantes mereciam um pouco mais de calma e desenvolvimento, mas a narrativa teima em ir e vir.

Uma organização chamada ENDIVADAL, decide por em marcha um terrível plano em prol de uma causa maior, levando a cabo uma série sucessiva de atentados em várias cidades Europeias (aqui nota-se que autor sabia mesmo para onde queria ir) não irei contar o porquê, para não estragar a surpresa de quem quiser ler o livro, esta parte foi muito bem conseguida (a verdadeira trama da Estrela não é um nome ao acaso). No entanto os membros da organização, são pouco convincentes, e muitas parecem amadores…  não sei se foi propositado… mas de facto os membros de uma organização de topo como o autor tenta vincar, não conseguem convencer do início ao fim.

Os capítulos dos atentados alternam com um chat de conversação, onde 3 jovens amigos conversam regularmente, (muito interessante esta parte e pouco comum)  mas que acaba por se tornar demasiadamente repetitiva e por vezes cansativa e onde nada acontece, senão “mascarar” a conversa, que não espelha em nada as conversas e a forma como os jovens de hoje conversam. Sabemos de ante-mão que no capítulo seguinte teremos um novo atentado, e o que muda é apenas a cidade e o nome dos operacionais da ENDIVADAL, estas repetições vêm retirar muito do fôlego, com o qual a narrativa poderia ter ido muito mais longe e ter sido, bem mais interessante.

Não me consegui ligar a nenhum personagem algo que considero fundamental num livro deste género, a superficialidade dos personagens, não ajudou em nada.

Uma nota negativa para esta edição que contém gralhas sem fim, o trabalho de revisão deixa muito a desejar, questionando-me muitas vezes se houve revisão… Tive alguma dificuldade inicial de concentração por causa dos caracteres utilizados e o espaçamento entre linhas é muito pequeno, que acaba por tornar o texto numa sopa de letras. Espero que a Pastelaria Editora entenda esta crítica como uma opinião que pretende ser construtiva, levando e ajudando esta jovem editora a crescer (é a minha opinião como leitor) este livro não foi assim tão barato (14.50€) e este género de erros, podem ser fatais. (espero que as próximas edições de “A Trama da Estrela” sejam revistas e “aperfeiçoadas”. ganhamos todos, principalmente nós leitores.

Sinopse:

Enquanto uma negra conspiração se vai expandindo por algumas cidades europeias, três adolescentes divertem-se, navegando pela Internet, tentando decifrar mistérios e crimes até então irresolúveis.

Dana, Mark e Rohan são provenientes de nações distintas mas os seus interesses e suas motivações convergem. À medida que uma onda de crimes vai assolando o território do velho continente, os jovens vão interagindo através das comuns salas de chat, falando sobre um infindável número de temas.
O percurso das suas vidas toma, porém, um rumo diferente, acompanhado d e estranhos acontecimentos que podem mudar os seus destinos.
Paralelamente, uma sociedade secreta, cujos elementos parecem tão competentes quanto obstinados, move-se de forma obscura e sanguinária, onde todos os seus passos são criteriosamente preparados, na tentativa de alcançar um marco até então inatingível.

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13 thoughts on “A Trama da Estrela – Vasco Ricardo

  1. Ora então o meu amigo sempre veio! 🙂
    Já estávamos com saudades.
    Gostei imenso desta tua opinião. É assertiva, clara. Expuseste-a sem falinhas mansas nem favores relatando apenas o que leste sem abdicar de realmente o esclarecer.
    Uma das ocorrências que mais me tira a “pica” ao ler um livro são os erros e gralhas. Revela, no mínimo, uma falta de respeito enorme, senão do autor da editora seguramente, por quem lê e paga preços exorbitantes pelo seu direito e desejo de ler em papel e em português alimentando dessa forma uma máquina que muitas vezes oblitera os próprios autores que a alimentam.
    Lá estou eu com o mau feito? Talvez não. 🙂
    Um abraço.

  2. Uauuu… aqui está uma opinião bem diferente de tudo o que li até agora.
    E não… não concordo minimamente.
    Não achei nada repetitivo… e previsível?? com aquele final??
    Está visto que não percebeu que não interessava para nada haver “profundidade” em relação aos membros do grupo, aliás um dos requisitos era mesmo esse. Nem os nomes verdadeiros saberem um dos outros. O que interessava era a Trama e não quem a fazia…
    Em relação aos jovens… que dizer? São jovens e de facto falam assim. Até os menos jovens o fazem.
    Mas pronto… São opiniões sem dúvida. Mas foi… engraçada.
    E… diferente pois…

    1. Olá Andreia, tal como lhe disse através da página do blogue no Facebook, é uma uma opinião pessoal e tem de ser encarada como tal. No entanto não costumo deitar papaias para o ar, sem antes as ter provado (no mínimo)
      O bom da coisa é precisamente, trocarmos ideias e opiniões…e discordarmos das opiniões dos outros e sabermos explicá-las e dizermos o que não gostámos e porque não gostámos. Agora dizer que não se gostou sem ter provado é que não pode ser.(opinar por opinar, estão os blogues carregados).
      No entanto a minha opinião acerca deste livro, mantém-se, mas noto uma uma certa picada a fugir para o pessoal. (não é nada pessoal, desejo ao autor e à editora o maior sucesso) e que nós possamos cá estar para o ver e ler.
      Arrisco no entanto (e posso estar enganado) a dizer que não terá lido muitos livros deste género, para afirmar que não é previsível. Aí está… chegamos aquele ponto da encruzilhada, em que não concordamos. E ainda bem que a sua opinião é diferente da minha, tem de ser respeitada e entendida como tal. (no entanto aconselho-a a ler mais opiniões… e não só as boas)
      Cumprimentos e boas leituras.
      Entretanto Andreia sugiro-lhe uma passagem por estes links, que são provavelmente o espelho de opiniões similares: (e Pessoais)
      http://monsterblues-cms.blogspot.pt/2012/12/a-trama-da-estrela-vasco-ricardo.html

      http://www.goodreads.com/book/show/14740723-a-trama-da-estrela (em especial a da Elphaba J)

    2. O que entende por profundidade Andreia? Claro está que não convinha que a identidade dos membros da organização, não fosse revelada. O que eu tentei dizer, foi que estes personagens, eram supérfluos, poderiam ter sido mais cativantes e profundos.

  3. Uma coisa… picada pessoal???? Onde??? Nem sequer acho a editora grande coisa, nem conheço pessoalmente o autor, muito menos o Nuno para dizer algo e ser tomado como “picada pessoal”
    Não li? Hmmm está bem… se está a apontar a ligação de Mark com o grupo… tudo bem. Mas eu não falei nisso, falei no final. Não vejo fazerem isso por ai.
    Mas ok… não devo, então, andar a ler os livros correctos pelos vistos.
    Não disse que teria de mudar a sua opinião em lado nenhum. Opinei apenas. Penso não ter faltado ao respeito pelo que disse O.o. Se o fiz…
    Bem… se acha que isso ajuda (as opiniões)… vou queimar pestanas à procura delas, apesar de até aqui só ter encontrado uma semelhante.
    E sinceramente… a mim pareceu-me foi que não aceitou bem a minha opinião. Nem todos podemos gostar de papaias, eu não gosto certamente, e não tenho culpa de não ter a mesma opinião que o Nuno.
    Boas Leituras

    1. chegou precisamente à minha ideia Andreia… mas talvez eu não a tenha entendido a sua correctamente, verá que ao fim de umas boas dezenas de livros de espionagem mudará de opinião, quanto à previsibilidade dos finais 😀
      Quanto à sua opinião, reitero uma vez mais o meu apreço e respeito, assim bem como todas as pessoas que têm uma opinião contrária à minha.
      Quanto aos links que lhe indiquei, apenas o fiz, por ter ficado com a ideia de que me disse (se ler o seu 1º comentário) de que é diferente de tudo o que leu até agora.
      Uma vez mais, repito, que é uma opinião pessoal acerca deste trabalho, não sobre o seu autor ou editor.
      Quanto à questão dos diálogos dos três jovens (já tive oportunidade de conversar com o Vasco Ricardo sobre o assunto) os tempos verbais, embora sejam correctos e é assim que devem se utilizados, não se aplicam na prática aos utilizados, nem por adultos, quanto mais por jovens.
      É saudável discutirmos opiniões Andreia e fico agradecido, pela opinião, não quero de forma alguma azedar o apreço que sei que tem pelo Página a Página, mas as coisas, nem sempre saem como estamos à espera!

  4. Olá Nuno 🙂
    Olha, li este livro o ano passado e gostei bastante. Achei os personagens bastante sólidos e a história bastante actual. Apreciei os diálogos entre os personagens e também achei que isto seria um ponto bastante atractivo para agarrar jovens leitores. Até lembrei-me que deveria fazer parte do Plano Nacional de Leitura. Quando li pensei que seria uma obra bastante adequada para os jovens e interessante de ser explorada na sala de aula.
    Vejo no teu comentário que não apreciaste muito o livro…

    Penso que não te importas que eu deixe aqui o link da minha opinião http://viajarpelaleitura.blogspot.pt/2012/09/a-trama-da-estrela-vasco-ricardo.html

    1. Olá Paula, claro que não me importo, (Já tinha lido a tua opinião na altura que a publicaste) Mas ainda bem que gostaste do livro e tens uma opinião contrária, pena que não estares por cá, para discutirmos os diferentes pontos de vista (por exemplo numa tertúlia) Temos a nossa 2ª Roda dos livros, já no sábado.
      Lembro-me por exemplo que também discordamos um do outro em relação ao “Livro” de José Luis Peixoto. Tu não gostaste, eu adorei. vá-se lá entender estas coisas… creio que que talvez tenha dado muita importância aos pequenos pormenores, (e levei o livro demasiado a sério) visto que como bem sabes, sou um fã deste género de livros.
      Ou então das tais grandes expectativas que se criam antes de lermos determinado trabalho. Vou esperar, para ver a evolução do Vasco Ricardo em ” O Diplomata”.
      De qualquer das formas é apenas uma interpretação DESTE LIVRO, ao contrário de algumas impressões que ontem troquei, que me deram a sensação de estar a cometar sacrilégio. Ainda bem que me conheces e sabes como funciono.

  5. “(…) ao contrário de algumas impressões que ontem troquei, que me deram a sensação de estar a cometar sacrilégio.”
    Decididamente, levou a mal a minha opinião. Uauuu… incrível como as coisas são…. Não me viu dar “ferroadas” quando insinuou que eu não tinha “cultura literária” para classificar o livro como sendo imprevisível (insinuação essa, de certeza, baseada no tipo de livros que tenho no GR que não representam nem um quarto do que eu leio.)
    Pena que pareça não ter poder de encaixe… “sacrilégio”… bonita palavra.
    Enfim….

    1. Cara Andreia… não foi apenas consigo que troquei impressões acerca do assunto. (Como deve calcular) logo não percebo (nem quero perceber) a sua dúvida num comentário que nem sequer lhe é destinado.
      Peço-lhe que não tente ler nas entrelinhas, o que lá não está escrito.
      Mas quem é que falou em cultura literária? Não vi a sua pilha de livros nem no GR, nem em lado nenhum, e não costumo nem quero julgar seja quem for pelos livros que lê. Cada um lê o que quiser e o que gosta, se assim não fosse, não estaríamos aqui a falar da Trama da Estrela.
      Nesta casa, ninguém dá “ferroadas”, opinamos impressões pessoais, que não andam nem nunca irão andar a reboque de editores, autores ou visitantes.
      Por aqui ninguém se esconde nas entrelinhas, falamos, abertamente, e tratamos as coisas pelos nomes.
      Por último, na minha casa, mando eu, não obrigo ninguém a cá vir, no cantinho superior direito do seu monitor irá encontrar um X.

  6. Não li este livro e sinceramente não tenho muito interesse em ler. Normalmente estou de acordo com as opiniões do Nuno, temos gostos semelhantes e as nossas interpretações são, habitualmente, próximas.
    Gostei de ler a opinião, que achei fundamentada. Não percebi porque é que a Andreia ficou tão zangada… sinceramente, mais vale ir ler um livro…LOL…

  7. Olá Nuno,

    Concordo com a tua opinião. Era um livro que tinha muito para ser interessante, até porque o próprio enredo e sinopse mostram criatividade, mas as personagens pouco coerentes na sua maturidade (ora maduras, ora infantis) e as gralhas de revisão desmotivam constantemente. Uma leitura que mantive até ao final, em grande parte sustentada apenas, pelos cenários e ambiente, bem como, na minha opinião, pelo desenvolvimento dos crimes. Espero que o segundo livro esteja mais “consistente”.

    Não percebo muito de policiais, mas ainda bem neste caso senão penso que teria uma opinião ainda menos positiva.

    Boas leituras.

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