O Filho de Ninguém – Olivia Darko

CapturarUm livro grande, não tem de ser propriamente um grande livro, a prova está neste “O Filho de Ninguém” que conta apenas com 98 páginas que se lêem em pouco mais de uma hora, sem conseguir parar. Para um primeiro trabalho, penso que a autora Olivia Darko, conseguiu aquilo que os “aspirantes” a escritores tanto ambicionam: um livro que corta a respiração e não sossega o leitor, até que termine o livro.

A autora consegue agarrar o leitor logo à primeira página, usando o velho cliché dos thrillers/policiais, em que estamos perante o perigo iminente da morte de alguém ou de que algo muito grave estará para acontecer.

Recuamos no tempo para conhecer Justino, o personagem central da história que vive “isolado” do mundo, algo que pode surpreender, mas que sabemos ser perfeitamente possível, basta ligar num qualquer noticiário para descobrirmos casos semelhantes, bem perto de nós e muitas vezes com contornos bem chocantes. Mas a vida de Justino nem sempre foi assim, Olivia Darko, consegue a proeza de nos agarrar duplamente ao livro e perguntarmos-nos como foi possível?

A ignorância popular, a falta de informação, o medo e a superstição terão talvez levado a que a vida de Justino, tivesse seguido por este caminho. O que dizer mais sobre este livro? que inicialmente tiramos conclusões que temos a certeza que são as verdadeiras, mas que a autora consegue com mestria trocar-nos as voltas? Sem dúvida.
Pouco mais tenho a dizer sobre este livro, apenas que fiquei surpreendido, muito surpreendido, com a sua qualidade.
Quando pensava que um thriller pouco mais tinha para me surpreender, eis que li “O Filho de ninguém”…

Leiam faz favor, mesmo para quem tem reticências quanto ao género… garanto que não ficará desiludido e terá uma surpresa. Aguardo com expectativa novidades desta jovem, mas sem dúvida, grande contadora de histórias.

Obrigado à Vera Brandão (Menina dos Policiais) por me ter podido proporcionar esta agradável leitura.

Sinopse:

Justino viveu isolado do mundo os primeiros 26 anos da sua vida, tendo apenas a mãe por companhia.
Quando faz a transição para a vida em sociedade, os lapsos de memória que sempre o tinham acompanhado recomeçam, mais fortes e menos espaçados, e assaltam-no memórias de vivências que não tem a certeza de serem reais, mas que se tornam cada vez mais vívidas e perturbadoras.
A aproximação de uma mulher, Sofia, provoca um turbilhão de emoções contraditórias que o conduzem a um caminho sem retorno, e o único fim possível acaba por ser a descoberta da terrível verdade que estava enterrada no seu subconsciente.

Olivia Darko:

É o pseudónimo de Débora Afonso, nascida em 1977 na cidade do Funchal. Filha de actores de teatro, desde muito cedo esteve em contacto com o mundo das artes, nas suas diversas formas. A paixão por livros vem desde sempre, e a partir da adolescência focou-se principalmente no género policial, por influência de escritores como Conan Doyle, Rex Stout e Ruth Rendell. Ainda durante a adolescência, teve algumas incursões na área da música e da televisão mas acabou por seguir a área das ciências, sendo licenciada em Química. A par com a leitura, os seus principais hobbies são o cinema e, muito especialmente, passar todo o tempo disponível com a filha de dois anos.

“O Filho de Ninguém” é a sua primeira experiência literária.

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7 comments

    1. Olá Débora Afonso… ou neste caso Olivia Darko 😀
      Muito me honra esta visita, espero e desejo que o próximo trabalho seja tão bom ou melhor que este, gostei muito de ler este teu livro. Muito obrigado

  1. Não conhecia mas já anotei.
    Tenho algumas saudades destes livros que nos fazem esquecer tudo enquanto lemos. Tens razão quando dizes que grandes livros não têm de ser livros grandes. Acho que foi Agatha Christie que nos ensinou isso 🙂

  2. Este é, de facto, um livro muito interessante. Começa logo pelo título excepcionalmente bem escolhido. O puto é mesmo filho de ninguém. Só não elaboro esta ideia porque seria um spoiler daqueles…
    Bem escrito e com um final fabuloso fez-me ficar fã da autora. A páginas tantas pensei que sabia tudo sobre o enredo e no final levei um murro no focinho… Adorei!
    Pedi-lhe, para a próxima, um calhamaço de proporções bíblicas e este foi-me prometido. Aguardo com ansiedade a próxima obra da Olivia.
    Um abraço.

    1. Já calculava que fosses gostar….:D
      Espero também um novo livro desta autora, não precisa de ser um calhamaço. A responsabilidade é maior depois depois de grande livro

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