O Teu Rosto Será o Último – João Ricardo Pedro

o teu rosto será o ultimoGostei bastante deste 1º romance do autor João Ricardo Pedro, que soube agarrar o leitor logo à primeira página, com a história de Celestino e deixando-o ficar com água na boca até ao desenlace. Gostei deste livro, porque é um livro nosso. E quando digo nosso, faço-o porque senti a estória e a história, porque senti os personagens, as paisagens, as ruas, as palavras, os palavrões.

Dei por mim, algumas vezes a pensar como teria sido o processo do autor na criação dos seus personagens, um bom observador e um ouvinte atento com certeza. A riqueza deste livro para mim não se prendeu sequer com a estória mas sim nas várias estórias que se foram desenvolvendo e entrelaçando até se fundirem.

Uma saga familiar, que é contada a várias vozes e em vários pensamentos, desde a revolução de 25 de Abril de 1974 até aos dias de hoje, episódios que se não foram reais, têm tudo para ter sido. Nota-se que João Ricardo Pedro, é um ser atento e conhecedor da nossa história recente, É um autor da minha geração, logo existem certos aspectos e pormenores que dificilmente os poderá ter vivido, mas que aproveita e muito bem, pequenas histórias que com certeza terá ouvido talvez bem perto de si.
Gostei deste livro, pela sua linguagem crua e dura da realidade de um Portugal que em alguns aspectos se mantém intacto e intocável, gostei porque o autor me pareceu peixe na água em quase todas as situações, de uma extrema brutalidade e consciência da vida real (como ela é) mas também de uma extrema sensibilidade e um à vontade com a música clássica por exemplo.

Em suma e para não me tornar demasiadamente repetitivo termino com um: “gostei deste livro”, mas não sei explicar porquê, talvez porque não haja nada para explicar, posso no entanto assegurar que “O teu rosto será o último”  não é um livro de meias medidas, ou se gosta, ou não se gosta.
É um livro, bem estruturado, bem escrito, com um princípio e um meio, mas é um livro que tem falta de um fim, um fim que sossegue o leitor, um fim à altura daquilo que o leitor desejaria…
Irei aguardar por novidades deste autor, que espero não perder de vista.

Sinopse:
Tudo começa com um homem saindo de casa, armado, numa madrugada fria. Mas do que o move só saberemos quase no fim, por uma carta escrita de outro continente. Ou talvez nem aí. Parece, afinal, mais importante a história do doutor Augusto Mendes, o médico que o tratou quarenta anos antes, quando lho levaram ao consultório muito ferido. Ou do seu filho António, que fez duas comissões em África e conheceu a madrinha de guerra numa livraria. Ou mesmo do neto, Duarte, que um dia andou de bicicleta todo nu. Através de episódios aparentemente autónomos – e tendo como ponto de partida a Revolução de 1974 -, este romance constrói a história de uma família marcada pelos longos anos de ditadura, pela repressão política, pela guerra colonial. Duarte, cuja infância se desenrola já sob os auspícios de Abril, cresce envolto nessas memórias alheias – muitas vezes traumáticas, muitas vezes obscuras – que formam uma espécie de trama onde um qualquer segredo se esconde. Dotado de enorme talento, pianista precoce e prodigioso, afigura-se como o elemento capaz de suscitar todas as esperanças. Mas terá a sua arte essa capacidade redentora, ou revelar-se-á, ela própria, lugar propício a novos e inesperados conflitos?

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PRÉMIO LEYA 2011

“O teu rosto será o ultimo” o romance de estreia de João Ricardo Pedro venceu o Prémio literário Leya que sucede a “O Olho de Hertzog”  e a “O Rastro do Jaguar” em 2008. Em 2010 não houve atribuição do prémio.

João Ricardo Pedro torna-se assim no primeiro Português a vencer este prémio.

18/10/2011 – O romance “O teu rosto será o último”, do escritor João Ricardo Pedro, venceu o , no valor de 100 mil euros. No anúncio do vencedor, hoje na sede do grupo editorial Leya, o presidente do júri, Manuel Alegre, disse que este foi um dos prémios Leya mais disputados, tendo sido escolhido João Ricardo Pedro “por maioria”.

O autor, lisboeta de 38 anos, não tem obra publicada, é licenciado em Engenharia Eletrotécnica, casado, pais de dois filhos e mora em Lisboa, segundo informações biográficas disponibilizadas pelo júri.

Relativamente à obra premiada, “O teu rosto será o último”, o júri salientou a “composição delicada de histórias autónomas, que se traçam em fios secretos”, considerando que o romance, “apoiado em imagens fortes, constrói um perturbador painel do presente português”.

O júri considerou ainda que “as personagens instigantes, geradas por uma linguagem marcada pelo lirismo e pela violência do quotidiano, transitam em relatos atravessados por elipses e interrogações”. Os jurados sublinham ainda o “referencial erudito” e o “poder de imaginação” que o romance, a publicar pela Leya, evidencia.

O Prémio LeYa, considerado o de maior valor pecuniário em Portugal, foi criado em 2008 e visa distinguir um romance inédito escrito em português. Este ano ao galardão candidataram-se 162 romances originais, a maior parte de Portugal e do Brasil, mas também de Inglaterra, França e Itália.

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“Escrevi este livro quando estava desempregado”

João Ricardo Pedro, manifestou hoje uma “enorme alegria” quando soube da distinção para o seu primeiro romance “O teu rosto será o último”, livro que começou a escrever há dois anos, quando ficou desempregado.

O autor, natural de Lisboa, declarou ainda que o galardão hoje anunciado pelo grupo editorial LeYa, “é um importante reconhecimento de um trabalho exaustivo”. “Escrevi este livro há dois anos, quando fiquei desempregado”, disse ainda à agência Lusa, acrescentando que vai ser um grande incentivo para continuar a escrever e que já tem novas ideias.

O romance relata a história de uma criança nascida em Portugal no período da Revolução do 25 de Abril e segue o seu percurso até aos 17 anos, acompanhada pela família. “Esta família herdou traumas da ditadura, que se refletem no filho”, apontou.

Questionado sobre se o livro reflete uma experiência pessoal do autor, João Ricardo Pedro indicou: “Há algumas semelhanças, mas não é uma autobiografia”.

(Artigo transcrito do Expresso de 18/10/2011)

Aqui Uma entrevista bastante interessante com o autor.

Outros Vencedores do Prémio Leya

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10 comments

  1. Eu só não gostei mais do livro porque não gostei do final; acho que (se bem me lembro) há um excessivo “fazer render o peixe” no mistério em torno da morte do Celestino.
    Gostei, como dizes, do bom cenhecimento da história recente de Portugal e de uma leitura muito séria do impacto do 25 de abril.
    Adorei o sentido de humor, com boa gestão do recurso ao calão.
    Abraço!

    1. Olá Manel, segundo diz o autor… o final abrupto quase sem sentido, foi obra da pressa em entregar o texto para o concurso… realmente é um final que não se percebe muito bem… estava com uma embalagem enorme e depois… mais nada

  2. Por acaso eu fiquei no meio termo, em relação à minha opinião deste livro. Hehe! Não amei, nem odiei, simplesmente achei que podia ter sido melhor mas que também não foi mau.
    Mas compreendo o que queres dizer quando falas de ser um livro muito português.

    1. Olá Ana, dizem que foram mais de 230 os candidatos ao Leya 2012… se este era o melhor… LOL
      Mas pessoalmente gostei do livro, pena que não tenha tido fim, ele não existe.

  3. Olá Nuno, como já te tinha dito gostei bastante deste livro… e achei que também ias gostar… também, como tu, sinto falta de um fim…
    Gostei, sobretudo, muito da tua opinião, que partilho inteiramente.
    Vamos ver se gosto igualmente do Leya deste ano, que já está na pilha à espera de vez…

  4. Comentários ao Artigo Original de 19 de Outubro 2011
    (eliminado dos Arquivos do blogue em: 23/04/2013

    tonsdeazul disse: 25/03/2012 às 9:11 pm (Editar)
    Primeiro gostei bastante da capa. Segundo gostei do título. E terceiro fiquei bastante curiosa. Parecem-me três motivos válidos para o procurar nas livrarias.

    Resposta
    Carriço disse: 26/03/2012 às 1:00 pm (Editar)
    Ora aí está um desemprego que veio por bem. (digo pela oportunidade do autor, uma vez que não li o livro)

    Boas leituras!

    Resposta
    Teté disse: 26/03/2012 às 10:19 pm (Editar)
    Este vou esperar por mais opiniões! Mas aquele “Hipnotista” do post anterior convenceu-me completamente… Obrigada pelas dicas de boas leituras!

    Resposta
    nunochaves disse: 26/03/2012 às 10:55 pm (Editar)
    Olá Teté… obrigado pela visita e pelos cometários sempre simpáticos. Pois acredito que vás gostar do Hipnotista.
    Eu já penso ler agora o próximo “O Eecutor”
    Até breve, boas leituras.

  5. Já me tinhas sugerido este livro e faz parte da wishlist. Normalmente não desiludes nas sugestões e por isso tenciono, de facto, lê-lo. Depois comparamos opiniões. 🙂

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