Esteja eu onde estiver – Romana Petri

52013 será definitivamente o ano em que menos livros irei comprar, desde Janeiro até agora comprei 1 livro. (é verdade) continuo a seguir a mesma linha do ano passado… Não é que não queira, mas infelizmente não posso. O grupo Roda dos Livros, tem-me permitido ler livros, sem ter de os comprar e aquela sensação de ter de possuir o livro, tem de facto arrefecido. Este “esteja eu onde estiver” é o 2º livro que leio  na Roda dos Livros.

Não conhecia a autora, mas a minha curiosidade, foi despertada quando o Jorge Navarro, nos falou de Romana Petri e da paixão que esta sentia por Portugal e pelos Açores. Tive alguma dificuldade com este livro, pois inicialmente  pareciam apenas frases sem sentido (mas que fazem todo o sentido depois do livro lido). Outro dos motivos para a  minha falta de concentração foi ter iniciado a sua leitura  no minuto seguinte ao final de “A vida em surdina” um livro que gostei mesmo muito.
Após a introdução (que são 20 páginas)  Petri começa a contar a sua estória e prende-nos a ela de uma  forma excepcional.
Adorei este livro, pela forma como a autora transmite as situações e as emoções, transportando-nos para o livro e fazendo-nos viver e viajar com os personagens.
Se não soubesse que Petri era Italiana, julgaria à primeira vista que se tratava de um livro de um autor Português, pela riqueza e pelo detalhe com um quase “conhecimento de causa” e de como nos são recordados os últimos 70 anos da nossa história e de muitos se envergonham e outros fingem que não foi assim.
As estrelas do livro, são sem dúvida 3 mulheres, muito diferentes, mas todas elas  ligadas, por força do “destino”, é no entanto Lisboa que brilha em quase todas as situações. Uma bela homenagem de Romana Petri, que retrata muito bem a cidade e mentalidade das diferentes épocas.
Antes de ler o livro, o que me chamou particularmente a atenção foi a capa, que é uma fotografia da zona do Martim Moniz… não sei qual o ano da foto, mas lembro-me bem da zona estar assim quando eu era miúdo. (foi quase um voltar atrás no tempo através de uma imagem).
Gostei das descrições do bairrismo e do orgulho Lisboeta, que hoje quase já não existe. Voltei a ouvir falar da fábrica de cigarros de Braço de Prata e para quem cresceu em Lisboa (como eu) irá com certeza recordar com muito carinho algumas zonas e pormenores da cidade, que se perderam com o tempo.
Um livro muito real que descreve ao pormenor a mentalidade e a cultura de um povo tacanho e conformado.
Fez-me muita impressão a falta de objectivos e a forma como as pessoas encaravam o seu futuro, como se a vida fosse apenas aquilo e não existisse  mais nada de bom na vida… (qualquer semelhança com a actualidade é mera coincidência)
Os hábitos e os costumes dos habitantes da capital, que se contentavam com tão pouco e que desconheciam que existia mais mundo para além de Lisboa, onde por exemplo  a falta de higiene que espelha bem a mentalidade da altura… Onde bastava um único banho por mês, pois o banho era um luxo e banhos diários, até poderiam fazer mal à saúde 😀
O preconceito em relação ás mulheres que de facto foram e serão sempre os verdadeiros pilares da sociedade, o asco em relação a pessoas diferentes como se de animais se tratassem, a coscuvilhice típica que condena tudo e todos, mas que se esquece de olhar para dentro da sua própria casa e preocupar-se mais com a sua vida do que com a vida dos outros, a desconfiança em relação a tudo o que é diferente e novo, a hipocrisia da igreja, dos padres e dos santinhos…. Enfim tudo aquilo que de mais abominável pode ter um povo, está descrito magistralmente neste livro.
… e os Dolvirans? Meu Deus, os Dolvirans que me iam quase fazendo ter uma overdose de riso.
Quem ainda não leu “Esteja eu onde estiver” que o faça, a única coisa que  posso garantir é que terá boas horas de leitura pela frente, num livro apaixonante e inesquecível.
Obrigado Jorge, Obrigado à Roda dos Livros.

Sinopse:

Custódia, Margarida e Maria do Céu são as três mulheres de uma emocionante saga familiar que tem início nos anos quarenta e termina nós nossos dias. Situada numa Lisboa de beleza mágica, mas oprimida por uma ditadura que parece interminável, os seus trágicos destinos entre-cruzam-se para sempre. Manuel, Carlos e Tiago são os homens que, passadas as suas falsas esperanças, as empurram para o sofrimento e o sacrifício. Onde quer que eu esteja é, acima de tudo, a história de uma maternidade sem limites, a frase que uma mãe profere antes de morrer aos filhos que não quer abandonar. Fresco de um Portugal fechado, dolente e trágico, do longo caminho percorrido pelo povo que, depois de forçado ao silêncio, encontrará a coragem de ser moderno escolhendo a liberdade.

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