No Meu Peito Não Cabem Pássaros – Nuno Camarneiro

no meu peito não cabem pássarosMais um livro que li, graças à Roda dos Livros e que belos euros poupei….
Confesso que tinha alguma expectativa em relação a Nuno Camarneiro, muito por causa do Prémio Leya 2012 e muito por causa das opiniões sensacionais que li em relação à escrita deste novo valor da literatura Portuguesa.
Para mim este livro foi uma desilusão completa, talvez por não ser este o livro que estava a precisar no momento em que o li, talvez porque não entendi rigorosamente nada do que estava a ler, ou talvez porque não percebi para onde é que o autor me estava a levar. (se é que me queria levar para algum lado).
Valem os capítulos curtinhos, que não deixam arrastar o tédio… Poderia simplesmente fechar o livro, que ninguém me obrigou a ler, mas decidi levá-lo até ao fim…
Por aquilo que li na contra-capa e também nas diversas opiniões, estas páginas seriam uma espécie de  homenagem a três outros escritores que o leitor iria identificar. Seriam eles Pessoa, Borges e Kafka, este último representado pelo personagem Karl foi o que me fez ler o livro até ao fim.

Os capítulos dedicados a Fernando (Pessoa) foram para mim os mais difíceis, foram deprimentes, doentios e verdadeiramente aborrecidos. Talvez porque a minha pessoa não aprecie a pessoa de Pessoa (não confundir com… alguns textos de Pessoa). uma desgraçada criança, que veio para Lisboa e que ao longo da sua vida foi um incompreendido, pois ninguém naquela altura tinha capacidade de apreciar a sua arte. (ou talvez porque ninguém estivesse mesmo disposto a aturar aquele doido varrido)

Depois temos  Jorge (Borges), ainda em criança, numa Argentina que nos é apresentada nos capítulos com as letras trocadas, Um miúdo que adora inventar histórias naquela cabecinha doida e que arranja 1001 formas  para “armazenar” as suas memórias, pensamentos e a sua forma de ver o mundo.

Por fim Karl, um imigrante em Nova-Iorque que limpa vidros num arranha-céus, que depois vende bíblias e passa ainda por uma casa de alterne. Karl o género de homem que não sabe muito bem o que quer e que só está bem onde não está, tem pela frente um sem número de  conflitos consigo próprio e sobretudo com o trabalho.

“No meu peito não cabem pássaros” é um livro repleto de introspecções que se arrastam mais do que deviam e demasiadamente poético, (sem dúvida bem escrito) Talvez sejam nestes pormenores que reside a beleza do livro…. talvez mas que não me conseguiu tocar, nem prender, nem fazer reflectir de maneira nenhuma. resumindo… não é a minha praia.

Sinopse: Que linhas unem um imigrante que lava vidros num dos primeiros arranha-céus de nova iorque a um rapaz misantropo que chega a lisboa num navio e a uma criança que inventa coisas que depois acontecem? Muitas. Entre elas, as linhas que atravessam os livros. Em 1910, a passagem de dois cometas pela Terra semeou uma onda de pânico. Em todo o mundo, pessoas enlouqueceram, suicidaram-se, crucificaram-se, ou simplesmente aguardaram, caladas e vencidas, aquilo que acreditavam ser o fim do mundo. Nos dias em que o céu pegou fogo, estavam vivos os protagonistas deste romance – três homens demasiado sensíveis e inteligentes para poderem viver uma vida normal, com mais dentro de si do que podiam carregar. Apesar de separados por milhares de quilómetros, as suas vidas revelam curiosas afinidades e estão marcadas, de forma decisiva, pelo ambiente em que cresceram e pelos lugares, nem sempre reais, onde se fizeram homens. Mas, enquanto os seus contemporâneos se deixaram atravessar pela visão trágica dos cometas, estes foram tocados pelo génio e condenados, por isso, a transformar o mundo. Cem anos depois, ainda não esquecemos nenhum deles.

Escrito numa linguagem bela e poderosa, que é a melhor homenagem que se pode fazer à literatura, No Meu Peito não Cabem Pássaros é um romance de estreia invulgar e fulgurante sobre as circunstâncias, quase sempre dramáticas, que influenciam o nascimento de um autor e a construção das suas personagens.

10/06/2013

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5 thoughts on “No Meu Peito Não Cabem Pássaros – Nuno Camarneiro

  1. Olá Nuno,
    até tinha curiosidade em ler Camarneiro mas depois de ler a tua opinião, já não tenho certeza. Acho que este não será um livro de que venha a gostar.

    1. Olá Isabel caldeira, não há nada como experimentar… não ligues à minha opinião e parte sem expectativas… quase toda a gente “adorou” o livro (menos eu)

      1. Vou ver se consigo que alguém mo empreste. Assim não corro o risco de comprar o livro e depois não o conseguir terminar.

  2. Ora então espero que tenhas a cerveja bem geladinha porque já cá estou! 🙂
    Tenho imensa pena que não tenhas gostado tanto deste livro quanto eu o adorei. Penso que é a primeira vez que não sentimos algo de semelhante por um livro que lemos. Parece-me evidente que não existe uma forma correcta de abordar um livro e no fim tudo depende do que a obra nos faz sentir. Isso é tão subjectivo quanto nós mesmos.
    Para mim essas introspecções poéticas bem escritas que referes são a beleza do livro e foi por isso que adorei.
    Eu gostei. Tu não gostaste. Ponto final. Gosto sempre de utilizar o exemplo da abóbora. Algumas pessoas adoram. Eu detesto! A abóbora limita-se a ser aquilo que é, indiferente a quem a come 🙂
    Um grande abraço.

    1. Ainda bem que voltaste, amigo, para dar alguma cor a este “mundo tão cinzento” de Fantasmas (como lhe tenho ouvido chamar).
      Cá estaremos nós “duas almas penadas” para lhes atormentar os espíritos

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