A Verdade sobre o caso Harry Quebert – Joël Dicker

– Um bom livro, Marcus, não se mede apenas pelas últimas palavras, mas pelo efeito colectivo de todas as que as precederam.
Cerca de meio segundo depois de terminar o livro, depois de ler a última palavra, o leitor deve sentir-se dominado por um sentimento poderoso; por um instante só deve pensar em tudo o que acaba de ler, olhar para a capa e sorrir com uma ponta de tristeza porque vai sentir a falta das personagens. Um bom livro, Marcus, é um livro que lamentamos ter acabado de ler. (Ed. Portuguesa-pág. 681)

a verdade sobre o caso harry quebert“A verdade sobre o caso Harry Quebert”, primeira leitura de 2014, Um livro que andava na minha mira há já algum tempo. veio lindamente embrulhado, juntamente com o Natal e com a chuva, e muitos dias sem nada para fazer.

Confesso que estava muito curioso em iniciar esta leitura, isso deve-se ao facto de ser um fã confesso deste género de romances e deste livro andar de boca em boca, ou melhor de mão em mão.
Depois de uma dose mais que aborrecida de Margaret Atwood, nada como um “grande sucesso” (daqueles que vendem muito) para aligeirar a coisa.
Este é o Livro de que toda a gente fala! É assim que começa o famoso “Caso Harry Quebert”.
Tive em conta , o alarido à volta deste livro, por parte dos bloggers que habitualmente costumo visitar. A maioria das opiniões eram muito favoráveis à sua leitura.
Existem sempre as comparações, isso é inevitável.. mas desta vez as ditas eram sobre duas coisas que (por acaso) conheço bem e do qual gostei muito, uma delas é “The Killing” cujo as duas adaptações à televisão (a original, Dinamarquesa e a cópia Americana por acaso muito bem conseguida) quase me levaram ao delírio. Posteriormente e ao contrário do que é habitual, a série foi adaptada, a livro.
A outra era Twin Peaks a famosa série de Mark Frost e David Lynch, que marcou os anos 90 e os Portugueses em geral.
E depois li também que “nas entrelinhas” (aquelas que toda a gente consegue ver menos eu) que este autor tinhas “ecos” e “traços” de Nobokov, de Jonathan Frazen e até Woody Allen ou Philipe Roth…  esqueçam as entrelinhas, esqueçam os outros livros e os seus autores. isto é apenas e só a gigantesca máquina de marketing, ponto.
Quanto a The Killing e a Twin Peaks, esqueçam também as comparações, pois se as há… serão apenas a velha questão: “afinal quem a matou”? ou todos os personagens são suspeitos.
Este livro que poderia também chamar-se “Quem matou Nola Kellergan” é no fundo um policial, demasiadamente batido (dentro do seu género) a história não tem a densidade dramática e real que tem “The Killing”, mas com isto não quero dizer que o livro é mau, mas… falta-lhe qualquer coisa, que após o final, nos deixa com uma espécie de gosto agri-doce na boca.
Inicialmente é uma leitura que se faz de forma compulsiva, mas acaba por ir perdendo a força, à medida que vai avançando. Por vezes com diálogos a roçar o infantil, acabamos por não perceber muito bem se é a forma de pensar ou de estar do protagonista, ou se é mesmo um texto arrancado a saca-rolhas.
Não estamos perante um livro, mas um série de livros, pois este romance é uma espécie de homenagem ao livro e ao escritor. Creio que  Joël Dicker teria sido bem mais eficaz se não tivesse dado tanta volta e reviravolta, no sentido de tentar pregar a rasteira ao leitor, levando-o a suspeitar de tudo e de todos.
Cada capítulo é iniciado de uma forma bastante original, o número do capítulo aparece na forma descendente e mantém o leitor a par de várias conversas entre o mestre Harry Quebert e o aprendiz, Marcus Goldman, sobre as várias formas de escrever um livro, desde o começo até ao fim.
Gostei de ler “O Caso Harry Quebert” passei horas bastantes agradáveis com a sua leitura, mas está muito longe de me encher as medidas dentro do seu género… Uma estreia em grande de Joel Dicker, mas não grande o suficiente para tanto alarido.

Sugestão:
Aproveito para terminar esta opinião meramente pessoal, com uma sugestão de leitura, para os fãs deste género de romance:
Leiam “Messias” e em seguida “Tempestade”  posso garantir-vos que aquilo que falta a Harry Quebert, existe de sobra nos 2 livros que sugeri, ambos do autor Boris Starling.

Sinopse:
Verão de 1975. Nola Kellergan, uma jovem de quinze anos, desaparece misteriosamente da pequena vila costeira de Nova Inglaterra. As investigações da polícia são inconclusivas. Primavera de 2008, Nova Iorque. Marcus Goldman, escritor, vive atormentado por uma crise da página em branco, depois de o seu primeiro romance ter tido um sucesso. Junho de 2008, Aurora. Harry Quebert, um dos escritores mais respeitados do país, é preso e acusado de assassinar Nola, depois de o cadáver da rapariga ser descoberto no seu jardim. Meses antes, Marcus, discípulo de Harry, descobrira que o professor vivera um romance com Nola, pouco tempo antes do seu desaparecimento. Convencido da inocência de Harry, Marcus abandona tudo e parte para Aurora para conduzir a sua própria investigação.

Anúncios

9 thoughts on “A Verdade sobre o caso Harry Quebert – Joël Dicker

  1. Esse excerto descreve exactamente o que acontece quando termino de ler um bom livro.
    Ainda não o li uma vez que já ouvi opiniões muito distintas e não quero arriscar tendo outras prioridades, apesar de gostar do género.
    Das duas séries com a qual comparas, ainda só vi o primeiro episódio de The Killing…
    Já o Messias, de Boris Starling, fez parte das minhas melhores leituras do ano passado! É, sem dúvida, um excelente livro.

    1. Olá José, obrigado pelo teu comentário, de facto este livro pode viciar e ser considerado muito bom, mas para quem está habituado a livros destes género, acaba por se tornar mais exigente. Creio que este autor, tem tudo para se tornar um caso de sucesso, mas de facto foi um sucesso de vendas (que em grande parte se deve à máquina de marketing) tem qualidade sim, mas não é nada que te faça ficar de boca aberta.
      Valeu a pena ler.

  2. Olá Nuno,

    Excelente comentário e realmente estranho o livro começar com um ritmo forte, para depois indo perder gas, muito estranho mesmo, pois por norma é o inverso que acontece.

    Ainda assim parece-me interessante e fica registada a tua recomendação do Boris Starling

    Abraço e boas leituras

    1. Olá Fiacha, Se puderes Ler Boris Starling, não olhes para trás… lê pela ordem recomendada, garanto-te que não te vais arrepender, li os livros, creio que há 7 ou 8 anos e até hoje, continuam a ser referência dentro do género.
      Existe também Vodka, mas num registo muito diferente, não gostei muito

  3. Ora… Tantas boas opiniões a este livro, que me encheram de grandes expectativas, e agora chego aqui e leio uma opinião contrária! Hum… Parece-me que afinal já não o vou ler tão cedo. Ainda mais se lhe falta aquilo que Boris Starling sabe fazer tão bem!
    Obrigada por me ajudares com esta tua opinião, Nuno. 🙂
    Boas leituras para 2014! 😉 O meu primeiro deste ano foi “Ivanhoe” de Walter Scott

  4. Olá Nuno,
    não sei bem porquê mas este livro nunca me atraiu mesmo com as críticas muito favoráveis. Já o Messias de Boris Starling é outra coisa. Desde que me disseste alguma coisa sobre ele ( creio que foi no face ou no meu blogue) fiquei muito intrigada. Conto adquiri-lo este ano.

    Beijinhos*

  5. Também tenho lido as muitas críticas positivas a este livro e estou relativamente curiosa em lê-lo (não é uma prioridade adquirir este título em particular, confesso). Curiosamente, comecei este sábado a ver a 2.ª temporada do The Killing, danish version, of course, da qual sou grande fã! Vou adiar esta leitura, sem dúvida.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s