Inferno – Dan Brown

infernoA fórmula é a mesma, o estilo é o mesmo, o protagonista idem… Quarto romance de Dan Brown, protagonizado por Robert Langdon, o especialista em simbologia de Harvard. Um enorme show off, antes da publicação, com cofres à prova de bala, seguranças a protegerem o manuscrito, e o diabo a quatro. Uma vez mais Dan Brown e a poderosa (e eficaz) máquina de marketing a trabalhar a todo o gás. Um romance (à semelhança dos seus antecessores) que antes de ser, já o era. E depois as velhas críticas de sempre, é um lixo, o tipo não sabe escrever, inventa mil e uma tretas e blá, blá, blá. Resultado… um enorme sucesso de vendas (outra vez). Depois disso, regressam ainda os “especialistas” em decifragens  e outras tretas ocultas, que existem apenas e só, nas suas cabecinhas. Mais grave que isso são os habituais bota-abaixo, que sabendo de ante-mão que vão ler a treta do costume… vão comprar o livro?

Na minha opinião, Inferno cumpre e muito bem aquilo a que se propõe, ou seja entreter o leitor, ponto. Quem vem em busca de X ou de Y, esqueça, pois Dan Brown é aquilo e aquilo mesmo. E porque haveria de ser diferente? Confesso que não compraria este livro imediatamente, contudo tencionava lê-lo como li os anteriores, no entanto ofereceram-me Inferno pelos meus anos e é claro que não me fiz de rogado.
Basta ler a sinopse, para saber que é mais do mesmo e depois? se quisesse saber mais sobre o Inferno, onde supostamente este Inferno se “inspira” pegaria outra vez na aborrecida obra de Dante Alighieri. Se quisesse conhecer melhor os locais onde se desenrola a acção, pegava num mapa, ou consultava a Internet, ou se tivesse dinheiro para isso, viajava directamente aos locais, o que seria maravilhoso.
Sendo assim li Inferno, mesmo sabendo que dali, iria retirar muito pouco. O sucesso de Brown, não se deve apenas ás suas teorias mirabolantes, mas sim à forma rápida como escreve  e desenvolve a trama. Após a desilusão de “O Símbolo Perdido” acredito que o autor recuperou a forma e a fórmula de “Anjos e Demónios”. Muita acção, muitos “efeitos especiais” no fundo, um verdadeiro filme.
Mas nem tudo será mentira ou treta neste Inferno. Visualizei claramente os monumentos, os jardins, as obras de arte, mesmo sem conhecer. Dei por mim a pesquisar na internet, para ver determinados edifícios ou determinados quadros expostos nos museus.
Só por isto já valeu a pena ter lido o livro, o autor consegue descrever de tal forma bem certos pormenores, que é difícil não ficar interessado em coisas que por regra, não me despertariam o interesse. Inferno,é um livro muito visual, que tenta de certa forma aligeirar a visão do Inferno de Dante, mas não adulterá-la.

Acreditem ou não, dou por mim a pensar se tudo o que descreve Brown, será assim tão absurdo? Recordo-me que quando li Anjos e Demónios, o autor criou inicialmente um roubo da tal “Antimatéria”, muito se falou da Antimatéria, do CERN, e do eterno confronto entre ciência e religião e de como tudo aquilo era uma treta e que era um grande filme. Em 2013, Peter Higgs e François Englert, ganharam conjuntamente o Nobel de Física por causa da “partícula de Deus”. Coincidência ou não Já Brown, tinha falado sobre tal coisa, anos antes. É Claro que Brown, não é nenhum profeta, mas acredito que as suas bases de investigação, não sejam realizadas em cima do joelho e de forma tão leviana, como a maioria dos especialistas tende em fazer crer.
Em Inferno, Brown aborda temas como o transhumanismo e a sobrepopulação. Confesso que não sabia de todo o que era o transhumanismo, então fui pesquisar vários artigos e descobri que se trata de uma filosofia que defende a evolução artificialmente acelerada. Parece uma ideia doida, mas de facto existe, não sei se os apoiantes desta filosofia terão o poder de um dia aniquilar grande parte da população como sucede no livro, mas… nós falamos frequentemente sobre isso, não me espantaria nada que um grupo de doidos varridos, decidisse por em prática as suas ideias, afinal, não fazem o mesmo certos grupos radicais? Que em nome de qualquer coisa ou de um, qualquer ideal, levam a cabo acções a que nós chamamos terrorismo?
Ao fazer esta leitura, fiquei com a sensação de que viajava com os personagens, fiquei com vontade de visitar os lugares descritos.
Se é um grande livro?… É, tem mais de 500 páginas.
Se é um bom livro? para mim foi, deu-me muito prazer a sua leitura.
Dan Brown, prova uma vez mais que consegue surpreender pela originalidade e forma como conta as suas histórias. O resto é conversa.

SINOPSE:
«Procura e encontrarás.» É com o eco destas palavras na cabeça que Robert Langdon, o reputado simbologista de Harvard, acorda numa cama de hospital sem se conseguir lembrar de onde está ou como ali chegou. Também não sabe explicar a origem de certo objeto macabro encontrado escondido entre os seus pertences. Uma ameaça contra a sua vida irá lançar Langdon e uma jovem médica, Sienna Brooks, numa corrida alucinante pela cidade de Florença. A única coisa que os pode salvar das garras dos desconhecidos que os perseguem é o conhecimento que Langdon tem das passagens ocultas e dos segredos antigos que se escondem por detrás das fachadas históricas. Tendo como guia apenas alguns versos do Inferno, a obra-prima de Dante, épica e negra, vêem-se obrigados a decifrar uma sequência de códigos encerrados em alguns dos artefactos mais célebres da Renascença – esculturas, quadros, edifícios -, de modo a poderem encontrar a solução de um enigma que pode, ou não, ajudá-los a salvar o mundo de uma ameaça terrível… Passado num cenário extraordinário, inspirado por um dos mais funestos clássicos da literatura, Inferno é o romance mais emocionante e provocador que Dan Brown já escreveu, uma corrida contra o tempo de cortar a respiração, que vai prender o leitor desde a primeira página e não o largará até que feche o livro no final.

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16 thoughts on “Inferno – Dan Brown

  1. Olá Nuno,

    Não podia estar mais de acordo com a tua opinião. Apesar de tantas críticas há sempre milhões que o leem. E se o leem é porque gostam. E se gostam porquê não admito-lo? Eu gosto e sempre que sai um livro compro. Cada um lê o que gosta e o que lhe dá prazer. Não leio o que não gosto só porque A, B ou C dizem que determinado livro é uma obra-prima.

    1. Assim é Maria Manuel, parece que muita gente ficou de repente com vergonha de assumir que compra e gosta de Dan Brown. (faz-me lembrar os livros do Sparks… uma vez lido é mais do mesmo) Para mim não há literatura maior ou menor, existem milhões e milhões de livros, e existe espaço para eles e para os seus leitores. (excepto a Margarida Rebelo Pinto) 😀 😀 bom até para ela.
      Não gostei sinceramente de O Símbolo Perdido, que achei chato e descritivo, fazendo-me perder o norte, mas gostei muito deste. Quem não gostou está no seu direito. Cada cabeça sua sentença.

  2. Sabes que mais, Nuno? Cada vez mais me apetece dizer uma coisa. Qualquer dia coloco em palavras garrafais no meu blogue:
    “CRITICOS LITERÁRIOS, IDE À ……”
    desculpa o desabafo mas esses gajos são incompreensíveis: passam a vida a dizer que em Portugal se lê pouco e quando se trata de comentar um livro que as pessoas gostam de ler eles dizem que não prestam. Imaginam esses tipos que podem promover a leitura elogiando apenas os intragáveis clássicos que eles próprios não leram?
    Eu li Anjos e Demónios e adorei. E depois? Fiquei analfabeto por ter gostado?
    Ide pastar, senhores críticos!

    1. Olá Manuel, não poderia estar mais de acordo contigo, aliás esta minha opinião, mais do que opinar sobre o livro em si, opina sobre sobre esses críticos que dizem mal a torto e a direito.
      Para mim os melhores críticos são aqueles que como eu, tentam expressar da melhor maneira que podem e sabem a leitura sobre determinado livro, seja ele bom ou mau, opiniões de “quem leu” e sobretudo opiniões, que sejam isentas e honestas.
      Ninguém fica mais ou menos analfabeto por ler Dan Brown ou autores que por regra são menosprezados. É preciso é ler, e tem de se começar por algum lado.
      Uma vez mais, que me desculpem os mais sensíveis: mas que se “fodam” os críticos.

  3. Concordo totalmente contigo! Em termos literários poderá não ser um Saramago, mas a verdade é que dá um imenso prazer na leitura e vê-se que existe uma enorme quantidade de pesquisa por trás. Eu sou fã assumido de Dan Brown! Anjos e Demónios faz parte dos meus livros favoritos!
    Também não gostei dO Símbolo Perdido, mas adorei este Inferno. Tal como tu, não conhecia a filosofia que está descrita. O livro realmente dá que pensar neste problema da sobrepopulação…

    1. É verdade José, mas tenho lido por aí que este livro e os anteriores, são uma mistura de info dump + Wikipédia, com muita teorias da conspiração à mistura.
      Aborrece-me bem mais JRS, que é descritivo até à exaustão (só li o Codex, diga-se de passagem) ao contrário de Brown, que faz com que o leitor viaje à velocidade da luz.
      Cumpre perfeitamente aquilo que se espera de um livro como este. Bom entretenimento.

  4. Viva Nuno,

    Excelente comentário e concordo contigo se dá prazer e a pessoa gosta nada como o ler. Apenas li os dois primeiros deles publiados por cá e até gostei mais dos Anjos e Demonios (fiquei a saber um pouco mais sobre a organização do Vaticano) mas houve ali uma queda de elicopetro que não me convenceu muito lol

    Seja como for paraei mas se tiver oportunidade sem duvida que vou ler 🙂

    Abraço e boas leituras

    1. eheheh Fiacha, de facto a cena do helicóptero foi demais…. principalmente no cinema, mas faz parte da “treta”
      Também gostei mais de Anjos e Demónios do que O código Da Vinci.
      Mas para mim o melhor livro de Dan Brown, continua a ser “A Conspiração”.

  5. oi!

    do dan b. só li o código da vinci, que correu familiares, amigos e colegas de trabalho, tal foi o sucesso e publicidade. gostei bastante do livro. depois disso, deram-me outros 2 livros dele, mas fui sempre pondo outros autores à frente. leio o que me apetece e não vou em modas, mas é evidente o sucesso deste autor: qd sai um livro novo, é ver as pessoas nos transportes com o volume debaixo do braço. a fórmula dele não é má, entretém mas está desgastada e a anos-luz de ser a minha favorita. 😉

  6. Também gostei muito do livro. E revi lugares onde já estive.
    Por acaso estava com vontade de ler “O Símbolo Perdido”, mas vocês estão todos a dizer tanto mal dele….LOL

  7. Olá Nuno. Gostei da tua análise. Também tenho este livro aqui em casa para ler, mas ainda não tive tempo. Este é um autor que sabe a sua fórmula e consegue sempre cativar-me a continuar a ler. Nunca faz obras primas, mas vicia bastante!

    Abraço!

  8. Olá 🙂
    Também aprecio bastante a escrita e os temas abordados por Dan Brown. A verdade é que li todos os livros dele à excepção de “Anjos e Demónios” e do “Inferno”, mas confesso que tenciono lê-los :). Estou apenas à espera de um preço mais adequado :).
    A verdade é que há algo nele que me prende sempre na leitura 🙂
    Boas Leituras

    Rosana
    http://bloguinhasparadise.blogspot.pt/

    1. Olá Rosana, bem vinda ao Página a Página. Obrigado pelo seu comentário, irei passar pelo seu blogue mais tarde, pois ainda não coneço.
      Obrigado uma vez mais, boas leituras e até breve.
      N.

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