Os Favoritos (III)

Uma vez por mês, mais ou menos por este dia, chegam “Os Favoritos” sejam livros, sejam autores, são aqueles que por qualquer motivo, são especiais. Desta vez a convidada Especial é a Djamb do blogue Folhas de Papel, um grande blogue que acompanho à muito tempo e a quem agradeço novamente por poder participar.
Para aceder aos anteriores  Favoritos, basta consultar a secção “Rubricas” no topo do blogue.

Boas Leituras a todos.

OS FAVORITOS
Por: Djamb
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steven saylorFazer a selecção de livros ou escritores favoritos pode ser um grande desafio porque, na verdade, são muitas as obras que me marcaram e que tenho como referência. Para mim, um livro para constar na lista do Top 5, 10 ou 20 deve possuir determinadas características e ser capaz de me deixar a reflectir sobre o tema sob o qual se debruça.
Sempre li muito e desde muito cedo, o que significa que tive a oportunidade de mergulhar nos meandros de vários géneros literários e, daí, fazer a filtragem do que realmente me cativa na leitura (e na literatura). A esta comparação de géneros e abordagens literárias, devo acrescentar a enorme influência que a blogosfera tem tido, visto que tenho seguido blogs interessantíssimos com análises e críticas francamente bem estruturadas e com sugestões de leitura muito relevantes. O resultado é a possibilidade de procurar e encontrar cada vez mais livros e autores com que me identifico, não correndo (ou minimizando) o risco de não conhecer livros de referência.
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Os romances históricos são um dos meus géneros preferidos. Quando bem escritos e estruturados, estes livros podem ser autênticos manuais para pesquisa sobre um determinado tema. Tomando como exemplo Steven Saylor, um historiador o drama de joão baroisespecializado na História de Roma que tem vindo a lançar dezenas de romances no âmbito da sua colecção Roma Sub-Rosa, as histórias narradas são contextualizadas ao pormenor na realidade história e geográfica deste Estado. Com base em documentos históricos de centenas de anos, a investigação de Saylor culmina em romances históricos cujo contexto social, político e económico é explorado até ao mais ínfimo pormenor, correndo até o risco de tornar a história do ‘herói’ num plano secundário, tal é a riqueza do cenário que desenha. Porque os romances históricos nos contam a História sob a forma de histórias, a leitura torna-se menos maçuda do que a leitura de um livro de História. Isto acontece com Steven Saylor, Margaret George (que narra com tanta paixão a história de Cleópatra), Maria João Lopo de Carvalho e Richard Zimmler que, cada um à sua maneira, optam por abordagens distintas para recriar alguns dos principais acontecimentos em determinados períodos da História.
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Mas a minha mais recente descoberta ou, digamos, a minha mais recente e intensa selecção têm sido os clássicos. Sendo os clássicos livros que perduram no tempo e que espelham ideias de grandes pensadores, tornando-os de leitura obrigatória, acredito que a grande maioria dos livros mais intensos e crus são os clássicos do início e meados do século XX. Não sendo esta uma categoria em si, tenho optado por livros que exploram a condição humana e que suscitam e debatem questões aos mais variados níveis, o que significa que grande parte dos meus livros de referência têm uma forte componente filosófica e de análise sociológica. Sim, à partida isto pode parecer monótono, mas pelo contrário: Ao optar por romancear a história, os autores conseguiram le murexplorar temas delicados, polémicos e profundos, recorrendo a situações dramáticas e diálogos ‘inteligentes’ que espelham a preocupação sobre determinado tema. Se falarmos da exposição da condição humana até ao mais profundo nível, aconselho vivamente a leitura d’O muro’, de Jean Paul Sartre, que narra a história de um homem prisioneiro cuja morte está sentenciada para o dia seguinte. Isto também acontece em ‘Crime e Castigo’, de Dostoievski, que expõe cruamente os medos de um homem que cometeu um crime horrendo e que batalha consigo mesmo dia após dia: o que o preocupa, na verdade: Ter morto ou ser apanhado? Ou optemos por ‘A peste’, de Albert Camus, que de forma soberba recria o medo e a vivência de judeus aprisionados durante a segunda guerra mundial, recorrendo a técnicas literárias primorosas para narrar a história sem uma única vez referir o holocausto. Refiro ainda o grandioso ‘O drama de Jean Barois’, de Roger Martin du Gard, que expõe exemplarmente o ateísmo e o catolicismo e os debate sob a voz do mesmo homem. E, claro, devo adicionar José Saramago que, autor muito mais contemporâneo do que qualquer um dos anteriores, consegue brincar com o leitor com o recurso a paralelismos soberbos e uma visão altamente crítica da sociedade.
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crime e castigo
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Não é fácil encontrar alguns destes livros, cujas edições datam de há muito. Contudo, com muito boa vontade é sempre possível procurar e encontrar exemplares, seja em alfarrabistas, por encomenda ou na biblioteca mais próxima. Felizmente, e como referi inicialmente, a blogosfera literária tem sido uma óptima ferramenta para encontrar sugestões de leitura, obras clássicas menos conhecidas (se assim se pode dizer) e para me ajudar na tarefa muito difícil por que todos os leitores passam frequentemente: que livro escolho agora e quais esperam mais um pouco na prateleira dos ‘livros por ler’?
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3 thoughts on “Os Favoritos (III)

  1. Olá,

    Gostei de conhecer os gostos da Djamb e em especial por gostar de vários generos literários. Por acaso adoro Romance Histórico e gostava muito de ler Steven Saylor (adoro o trabalho do 1º Homem de Roma da Collen McCollogh) e o Richard Zimmler, que ainda não tive oportuinidade de ler, mas quero faze-lo sem duvida e tenho um livro da Margaret George por ler 🙂

    Quanto aos restantes devem ser bem interessantes sem duvida, embora dificeis de encontrar, mas nada como tentar 😉

    Uma mais valia para o teu blog, sem duvida

    Abraço

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