Morte com Vista para o Mar | Pedro Garcia Rosado

 Morte com Vista para o MarAo 8º thriller de Pedro Garcia Rosado, posso opinar (ainda) com mais clareza sobre o trabalho deste autor que muito me tem agradado. E com esta “Vista sobre o mar” começo finalmente a seguir a ordem natural das coisas…
Esta nova série chamada “As Investigações de Gabriel Ponte” aguardavam pacientemente que terminasse a leitura dos livros anteriores do autor (alguns já difíceis de adquirir) que fiz questão de ler antes. (todos estão opinados aqui no blogue).
Já tinha falado anteriormente sobre o que penso acerca do trabalho de Pedro Garcia Rosado e volto a reiterar que já faziam falta este género de livros em Portugal, escritos e pensados em Português.
Convivo com vários leitores e tenho sempre curiosidade em espreitar o que os outros andam a ler, e a verdade é que vejo sempre os agora tão na moda “policiais nórdicos” em todo o lado, seja nas livrarias, seja nos transportes, seja nos outros blogues, enfim… há sempre um thriller a espreitar algures.
Corroboro totalmente a opinião de PGR (Livros na estrato-blogosfera) que diz que em Portugal, este género de livros continua a ser considerado pelos pseudo-qualquer coisa um género de literatura menor.
Na minha opinião não é apenas por ser literatura menor… é por ser literatura menor escrita em Português, passada em Portugal, com nomes Portugueses.
Quando uma das maiores fatias do mercado livreiro no nosso país, são os policiais e thrillers (basta olhar para os tops de venda), muita gente continua a bater na mesma tecla de que estamos perante “Literatura menor”, e porque tem muito sangue e é tudo um horror! Porque em Português fica piroso, pois o inspector não se chama John, mas sim José, e o crime ocorreu na Avenida da Liberdade e não em Times Square ou numa qualquer avenida de Estocolmo com um nome impronunciável.
Ainda bem que existem muitas excepções e eu posso considerar-me uma delas.
Gosto de thrillers, gosto de policiais, mas gosto sobretudo de histórias bem contadas, onde o tal do inspector, não seja super-herói, ou entre em missões impossíveis. Gosto de histórias reais, com gente como eu, com defeitos e qualidades… e PGR tem a qualidade necessária para agarrar e fidelizar um leitor.
Não é a primeira vez que falo sobre este assunto, e com certeza não será a última, espero um destes dias voltar a falar sobre isto (fora de um post de opinião).
e porque o texto já vai longo, falo agora de “Morte com vista para o Mar”.
Notei claramente um regresso ao passado e muitas semelhanças com a série “Não Matarás”. A começar pelos capítulos, que voltam a estar identificados com os dias da semana, cada dia corresponde a um dia de investigação. (esta demorou uma semana e meia) Dentro de cada capítulo, são separados os vários personagens e os acontecimentos na trama, por sub-capítulos… Algo que poderá à partida fazer alguma confusão para quem não esteja habituado, mas que rapidamente é ultrapassado.

Este livro começa à semelhança dos anteriores com uma espécie de introdução à história e aos personagens, com uma morte que ocorre anos antes. A meu ver demasiadamente previsível e com semelhanças brutais em relação a “A Cidade do Medo”. Não sei se de forma propositada? O facto é que a própria sinopse diz “quase tudo” (e isso não e bom).
Em seguida um brutal assassínio, com tudo aquilo a que um leitor tem direito numa cena destas, nada que não abra frequentemente uma notícia de telejornal.
Este livro mantém mesmo muitas semelhanças com a 1ª trilogia do autor, mas o envolvimento quase imediato que tive com Joel Franco, não aconteceu com Gabriel Ponte.

A história volta a desenrolar-se entre Lisboa e  Caldas da Rainha, com descrições dos locais que acredito que o autor conheça bem, pois são muito credíveis.
Morte e corrupção voltam a ser os ingredientes principais, e sem grandes malabarismos PGR sabe bem para onde quer levar o leitor.
Uma investigação muito credível da Polícia Judiciária (através de Gabriel e Patrícia Ponte) sem falhas a apontar! (creio que as habituais descrições técnicas das armas de fogo, eram dispensáveis).
Os sites de encontros sexuais e o vasto mundo da blogosfera estão também presentes e são a meu ver uma mais valia para a história, que a torna ainda mais real e apetecível.
Este caso foi «ficcionalmente real» e qualquer semelhança que possa existir entre o “Novo Bordallo” de Alberto Morgado e «O das Caldas» assinado por um espirituoso “Manguito Ecológico” não é mera coincidência, como já tinha dito PGR.
Atrevi-me a ler vários artigos deste blogue com uma satisfação diabólica e confesso que me diverti muito a ler alguns dos comentários anónimos.
Ainda bem que em Portugal existe tanta variedade e riqueza de casos como este. É uma pena, que não exista mais gente a escrever e a denunciar coisas tóxicas e lixo como este.

Pedro Garcia Rosado já me conquistou como leitor e fã, mesmo tendo este sido o livro de que menos gostei, (pela sua previsibilidade). Espero que Gabriel Ponte me consiga convencer melhor no próximo caso.
Volto uma vez a aplaudir o trabalho, a dedicação e a  persistência do autor em algo que acredita e pelo qual tem lutado, assim bem como a coragem para continuar a denunciar e falar abertamente dos tais agentes tóxicos que nos rodeiam, tratando sempre os bois pelos nomes.

Duas pequenas notas: (para o autor):
– Na página 173 desta 1ª edição de “Morte com Vista para o Mar” estamos perante uma pequena gralha: «Gabriel Franco ou um Joel Ponte?» (confesso que tenho muitas saudades do Joel) bem sei que ele voltará… Mas não neste livro.

– A conversa entre Gabriel Ponte e Filomena Coutinho nas margens da Lagoa de Óbidos… onde ele lhe diz com uma certa ironia que a cadela se chama Filó e que está “esterilizada”, esta palavra, revela tudo. Espero não estar enganado… Pedro Garcia Rosado.

Pedro Garcia Rosado, no evento Livros na estratoblogosfera - FLL2014
Pedro Garcia Rosado, no evento Livros na estratoblogosfera – FLL2014

SINOPSE: 
Nas traseiras de uma moradia isolada nas Caldas da Rainha, um professor de Direito reformado aparece morto à machadada na casa onde vivia sozinho. Patrícia, inspectora-coordenadora da PJ, pede ajuda ao seu ex-marido Gabriel Ponte, antigo inspector da Polícia Judiciária, que assim regressa ao mundo da investigação criminal.

Meses antes, o professor tinha contactado Patrícia, sua antiga aluna e amante, para denunciar a existência de um esquema de corrupção e de lavagem de dinheiro em torno do projeto de um empreendimento turístico gigantesco nas falésias da costa atlântica.

As primeiras provas apontam para que este homicídio seja resultado de um affair com uma mulher casada, mas poderá o professor ter sido assassinado por saber demais?

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4 thoughts on “Morte com Vista para o Mar | Pedro Garcia Rosado

  1. Ois Nuno,

    Bem que grande comentário e realmente não percebo essa ideia em relação ao escritor português e à ação ser passada em portugal, mas não faz sentido nenhum, o importante é ser um livro em todas as suas vertentes 🙂

    Vejo que és mesmo admirador do escritor, algo que já tinha percebido pelos comentários anteriores…à muito registado como a ler 😉

    Abraço

    1. Olá Amigo Fiacha, desculpa responder-te apenas agora, como sabes estou fora e o blogue vai ficar ainda mas “down”.
      Aconselho-te vivamente este autor, que nada fica a dever aos Mestres Internacionais.
      PGR, ganhou a minha admiração por mérito próprio e tu bem sabes que não faço favores a ninguém. Quando não se gosta paciência.
      Mas tenho a certeza de que irás gostar!

  2. Bem, ainda não consegui iniciar-me com este autor, apesar dos teus excelentes comentários a seu respeito… Como bem dizes, provavelmente seja tão bom ou melhor que muitos policiais estrangeiros, mas a verdade é que os outros acabam por chamar mais a atenção. É algo que devia corrigir, sem dúvida. A ver se pela altura do Natal, quando voltar de férias a Portugal, compro definitivamente algum dele 🙂
    Provavelmente será este uma vez que é mais fácil de encontrar… Dirias que é previsível para quem ainda não leu os anteriores?

    1. Olá Grande José! Como estão as coisas aí por terras de Espanha??? Espero que esteja tudo a correr ás 1000 maravilhas.
      Aconselho-te vivamente PGR (como deves ter visto pelas minhas opiniões). Se puderes Começa pela Trilogia “Não Matarás” que está baratissimo na Wook e ainda em algumas livrarias físicas. Creio que não chega a 5 Euros cada livro. Esta Trilogia é composta por A Cidade do Medo / Vermelho da Cor do Sangue/ Triângulo.
      Vale mesmo a pena. e creio que vais gostar!
      Um grande abraço e tudo a correr bem.
      ps. Respondendo à tua pergunta…. sim é previsível mesmo para quem não tenha lido os outros (pelo menos para mim foi) 😀

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