A Queda dos Gigantes – Ken Follett

a queda dos gigantesA Primeira Leitura e primeira opinião de 2015 recaem sobre o primeiro volume da trilogia “O Século” que andava adiado desde o seu lançamento em 2010.
Uma missão de fôlego dado o colossal número de páginas que compõem a mais arrojada e ambiciosa obra de Follett até ao momento.

Pessoalmente não gosto de ler livros cuja história transite de certa forma para o livro seguinte, mesmo que possa ser lido de forma independente como é o caso desta trilogia. Guardei assim para o início deste ano de 2015 “A Queda dos Gigantes” e “O Inverno do Mundo” que aguardavam a publicação de “No Limiar da Eternidade” editado o ano passado.

Ken Follett raramente desilude… Pelo simples facto de utilizar a mesma fórmula (vencedora) livro após livro, independentemente do género.
A involvência do leitor com os personagens dos seus livros é de tal forma grande, que ao fim de umas quantas páginas lidas, o apego é total. Aconteceu antes com “Os Pilares da Terra” e com “Um Mundo sem Fim”.
Rapidamente ficamos a conhecer os personagens, como se de velhos conhecidos se tratassem, escolhemos aqueles de quem gostamos e escolhemos aqueles que odiamos.
Gosto particularmente deste género de Romance Histórico que para além de recordar uma parte significativa da história da Humanidade, consegue por outro lado levar a interiorizar certos detalhes e pormenores que possam ter passado despercebidos, até mesmo a quem esteja à vontade com este período negro do Século XX.
Sem massacrar e sem dar lições de história a ninguém, degrau a degrau o leitor vai avançando na narrativa, com um interesse que vai aumentando a cada virar de Página. Numa mistura entre ficção e verdade, Follett quase que nos faz acreditar que os seus personagens são reais… (Não são… mas poderiam ter sido).

Esta epopeia literária centra-se sobretudo no decorrer da Grande Guerra, vulgarmente conhecida como 1ª Guerra Mundial – (1914-1918).  Embora a acção seja iniciada em 1912 e culmine em meados dos anos 20.
Ao longo de 920 páginas, o leitor vai abarcando diversos assuntos que marcaram este negro e ao mesmo tempo esperançoso período da história da humanidade.
Numa guerra simplesmente estúpida e que apenas aconteceu por vaidade e orgulho de meia dúzia de imbecis que ditaram a morte de mais de 10 milhões de soldados e marcaram sem dúvida para sempre os mais de 20 milhões de jovens que lutaram por uma guerra que não era a sua.

O corpo de um soldado britânico aguardando o enterro.
O corpo de um soldado britânico aguardando o enterro.

Numa espécie de Guerra e Paz dos tempos modernos, conhecemos as 5 famílias que compõem a espinha dorsal do livro, todos eles acabam de uma forma ou de outra por se cruzar por ironia do destino.
Em “A Queda dos Gigantes” não existem protagonistas, pois todos têm o seu papel.

Por detrás da história de ficção, Follett apresenta-nos uma análise histórica rigorosa que em alguns aspectos, se revela uma verdadeira surpresa e uma novidade em termos literários.
Portugal é remetido ao papel secundário e quase insignificante que apenas alguns teimam em querer fazer parecer maior do que foi.
A participação do Corpo Expedicionário Português, foi um verdadeiro desastre e uma vergonha colossal que apenas por necessidade de afirmação e vaidade da então jovem República Portuguesa levou ao resultado que todos nós conhecemos.
Na única “Aparição” Portuguesa no livro de Follett o delegado Português à conferência de paz solicita que o texto final inclua uma referência a Deus, sendo por isso alvo de troça por parte dos outros representantes. Qualquer semelhança com a realidade é apenas e só uma coincidência.
Para terminar, saliento ainda os factos que ao Império Russo e à sua queda dizem respeito. As atrocidades cometidas em nome dos Czars, são deveras impressionantes e causam uma repulsa e um nojo inacreditáveis e que fazem compreender um pouco, mas não desculpar o comportamento e mentalidades dos Soviéticos.

Recomendo este livro, não apenas aos amantes de boa literatura, mas a todos aqueles que quiserem aprender e fixar um pouco mais de história, sem que isso signifique «ser maçador». agradaria com certeza aos nossos alunos do segundo e terceiro ciclos que juntariam o prazer de ler ao de aprender. (Mas isto sou eu a pensar alto).

Estou neste momento na recta final do 2º volume “O Inverno do Mundo” do qual falarei em breve e que abarca o período mais tenebroso da história do velho continente.
***
Centenário da Grande Guerra (1914-2014)
(para uma melhor visualização das imagens clicar na galeria)
Sugestão:
Visitem a Página do Centenário da Grande Guerra, onde poderão encontrar fotografias reais Retocadas e que valem e devem a pena ser vistas.
Sinopse:
Em A Queda dos Gigantes, o primeiro volume da trilogia “O Século”, as vidas de 5 famílias – americana, alemã, russa, inglesa e escocesa – cruzam-se durante o período tumultuoso da Primeira Grande Guerra, da Revolução Russa e do Movimento Sufragista.
Neste primeiro volume, que começa em 1911 e termina em 1925, travamos conhecimento com as cinco famílias que nas suas sucessivas gerações virão a ser as grandes protagonistas desta trilogia. Os membros destas famílias não esgotam porém a vasta galeria de personagens, incluindo mesmo figuras reais como Winston Churchill, Lenine e Trotsky, o general Joffreou ou Artur Zimmermann, e irão entretecer uma complexidade de relações entre paixões contrariadas, rivalidades e intrigas, jogos de poder, traições, no agitado quadro da Primeira Grande Guerra, da Revolução Russa e do movimento sufragista feminino.
Um extraordinário fresco, excepcional no rigor da investigação e brilhante na reconstrução dos tempos e das mentalidades da época.
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13 thoughts on “A Queda dos Gigantes – Ken Follett

  1. Aguardava com alguma expectativa a tua apreciação sobre esta(s) obra(s). É uma trilogia cuja temática e críticas que fui lendo me despertaram mais e mais o interesse, mas, por vários motivos – desde logo o preço oneroso (mesmo em segundas núpcias) e o facto de não gostar de deixar livros a meio ou por ler – não comprei ainda nenhum dos títulos.

    Também confesso que me imponho sempre alguma resistência quase involuntária a livros desta envergadura, que são quase uma missão. Na verdade, raramente leio livros com mais de 500 páginas e estes são duas vezes maiores. Depois do que li aqui, vou definitivamente avançar! Pede lá ao Sr. Follet que te pague a comissão devida, porque vai vender mais três livros.

    Abraço.

    1. Olá Grande Tacão, é uma honra ter-te a comentar aqui pelo Página.
      de facto como disse, Follett raramente desilude.
      Aconselho-te vivamente “Os Pilares da Terra” aproveita a feira do livro, ou uma qualquer feira de alfarrabistas. Os livros são de facto carotes.
      Mas valem a pena. Posso sempre emprestar-tos. é uma questão de combinar contigo. Sabes que estás à vontade.
      Espero ver-te por cá novamente. Eu prometo dar mais vida a este espaço que tem andado esquecido nos últimos tempos

  2. Viva Nuno,

    Não tive oportunidade de ler estes livros, pois como sabes são caros mas sei que valem o dinheiro empregue.

    Quem sabe venha a ler em formato digital é meter-me na demanda 😉

    Excelente comentário sem duvida, fiquei com vontade de ler.

    Abraço e boas leituras

    1. OLá Fiacha! de facto como referi Follett raramente desilude. Mas realmente muito caros estes livros.
      Posso sempre emprestar-tos.
      se os quiseres adquirir podes sempre aguardar pela proxima feira do livro. Com certeza estarão bem mais em
      conta.

  3. São sem dúvida livros geniais e concordo que podem ser lidos para aprender mais sobre este período da História… Misturando um pouco de ficção dá-nos uma certa profundidade nestes acontecimentos que acaba por estar ausente nos manuais escolares uma vez que passamos a vê-los sob o ponto de vista humano, das personagens, e não apenas das estatísticas e factos.
    Gostei muito de ler a tua opinião e espero que gostes dos outros dois volumes (já vi que também estás a adorar O Inverno do Mundo) 😉

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