Rosa dos Ventos

Todos nós alguma vez, dissemos sim, não ou talvez…
Aos nossos, a nós. Um bom ano

1 de Janeiro 2016

 

ROSA DOS VENTOS
Almada Negreiros – (1893-1970)

 

Não foi por acaso que o meu sangue que veio do Sul
se cruzou com o meu sangue que veio do Norte.
Não foi por acaso que o meu sangue que veio do Oriente
se cruzou com o meu sangue que veio do Ocidente.

Não foi por acaso nada de quem sou agora.

Em mim se cruzaram finalmente todos os lados da terra.
A Natureza e o Tempo me valeram: séculos e séculos
ansiosos por este resultado um dia
e até hoje fui sempre futuro.
Faço hoje a cidade do Antigo
e agora nasço novo como ao Princípio:
foi a Natureza que me guardou a semente
apesar das épocas e gerações.

Cheguei ao fim do fio da continuidade
e agora sou o que até ao fim fui desejo.

O Centro do Mundo já não é o meio da terra
vai por onde anda a Rosa dos Ventos
vai por onde ela vai
anda por onde ela anda.

Agora chego a cada instante pela primeira vez à vida
já não sou um caso pessoal
mas sim a própria pessoa.

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One thought on “Rosa dos Ventos

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