De Filhos para Pais | De Pais para Filhos

I remember when you were all mine
Watched you changing in front of my eyes
What can I say? Everyone has to find their own way
And I’m sure things will work out okay

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Ciclos, que se abrem, que se fecham, que se repetem.
Ciclos que morrem, que renascem, que são imortais

Manterei o brilho que te guia, com a mesma intensidade com que brilhas e iluminas a minha vida.

19 de Março de 2017

 

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Para Ser Lido Mais Tarde

 

Bia

 

Um dia
quando já não vieres dizer-me: Vem jantar
quando já não tiveres dificuldade
em chegar ao puxador da porta
quando já não vieres dizer-me:Pai vem ver os meus deveres
Quando esta luz que trazes nos cabelos, já não escorrer nos papéis em que trabalho

Para ti será o começo de tudo
Uma outra vida haverá talvez para os teus sonhos
um outro mundo acolherá talvez enfim a tua oferenda

Hás-de ter alguma impaciência enquanto falo.
Ouvirás com encanto alguém que não conheço
nem talvez ainda exista neste instante

Mas para mim será já tão frio e já tão tarde
E nem mesmo uma lembrança amarga ou doce ficará
desta hora redonda, em que ninguém repara

Mário Dionísio
1916-1993

#Dia do Pai 2013 (O Pai – Pablo Neruda)

Num tempo em que ser Pai ou Mãe é quase um jogo de contorcionismo mensal, existem coisas que nunca mudam e espero que nunca venham a mudar, pequenos gestos, que passaram dos nossos pais para nós e de nós para os nossos filhos e que um dia irão passar para os nossos netos. Pequenos gestos e pequenas lembranças, que se tornam enormes aos nossos olhos e que orgulhosamente guardamos e partilhamos.
Um grande abraço a todos os todos os pais, Os que cá estão… e aos que partiram

E para um pai que gosta de livros, vejam lá estas prendas especiais:

Um Marcador exclusivo e uma bela caixa para guardar os meus marcadores… e que tal? hein?

IMG_8160IMG_8159IMG_8169IMG_8168Aproveito ainda para partilhar convosco um poema muito especial

O Pai / Pablo Neruda

Terra de semente inculta e bravia,
terra onde não há esteiros ou caminhos,
sob o sol minha vida se alonga e estremece.

Pai, nada podem teus olhos doces,
como nada puderam as estrelas
que me abrasam os olhos e as faces.

Escureceu-me a vista o mal de amor
e na doce fonte do meu sonho
outra fonte tremida se reflecte.

Depois… Pergunta a Deus porque me deram
o que me deram e porque depois
conheci a solidão do céu e da terra.

Olha, minha juventude foi um puro
botão que ficou por rebentar e perde
a sua doçura de seiva e de sangue.

O sol que cai e cai eternamente
cansou-se de a beijar… E o outono.
Pai, nada podem teus olhos doces.

Escutarei de noite as tuas palavras:
… menino, meu menino…

E na noite imensa
com as feridas de ambos seguirei.

A Mecânica do Coração / Mathias Malzieu

a mecanica do coraçãoNesta época de férias em que tentamos descontrair do stress diário, e alguns se dedicam à leitura, nada melhor para descontrair ou para sair da rotina do que este “A mecânica do Coração”
Um pequeno livrinho que tem andado um pouco a reboque na mesa de cabeceira, saltando ora de cima para baixo, ora de baixo para cima e assim consecutivamente. (esticando e muito a sua leitura que terminou à pouco).
Este pequeno livrinho que foi a minha prenda no dia do pai (2010), agradou-me bastante logo ao ler a  sinopse.
Para os amantes do género Tim Burton, faz 100 por cento jus às críticas.
Poético, negro, mágico, surrealista, inacreditavél. São os adjectivos que encontro para o descrever.
Curiosamente o protagonista Jack, encontra-se com personagens bem reais tais como Jack O Estripador e Georges Méliès, gostei bastante desta parte foi deveras original.
Um verdadeiro conto de fadas para adultos, que por vezes nos faz sentir bem crianças. E que nos mostra como o amor pode muitas vezes ser a causa para a desgraça e a loucura.
Um livro com um final que não é bem o esperado, sem o “foram felizes para sempre” (visto que é legítimo dar a recompensa aos bonzinhos) mas após uma pequena reflexão, acabamos por aceita-lo e acabamos por nos perguntar  até que ponto Jack e a sua obcessão pela pequena cantora Acácia, não terá contribuido para o desfecho. Será que tudo aquilo não terá sido a má mecânica do seu coração?

Um pequeno livro, que se lê num pequeno folêgo. Gostei e recomendo.

SINOPSE:
Edimburgo, 1874. Jack nasce no dia mais frio do mundo, com o coração… congelado. A Dr.ª Madeleine, a parteira (segundo alguns, uma bruxa) que o trouxe ao mundo, consegue salvar-lhe a vida instalando um mecanismo – um relógio de madeira – no seu peito, para ajudar a que o coração funcione. A prótese funciona e Jack sobrevive, mas com uma condição: terá sempre de se proteger das sobrecargas emocionais. Nada de raiva e, sobretudo, nada de amor. A Dr.ª Madeleine, que o adopta e vela pelo seu mecanismo, avisa: «o amor é perigoso para o teu coraçãozinho.» Mas não há mecânica capaz de fazer frente à vida e, um dia, uma pequena cantora de rua arrebata o coração – o mecânico e o verdadeiro – de Jack. Disposto a tudo para a conquistar, Jack parte numa peregrinação sentimental até à Andaluzia, a terra natal da sua amada, onde encontrará as delícias do amor… e a sua crueldade.