Livros

O meu regresso aos Livros (Rentrée Literária)

Tenho andado um pouco arredado de algo que me dá um enorme prazer e que me proporciona seja nos bons ou nos maus momentos, Viagens e experiências únicas.
Os livros e as leituras. Uma paixão de sempre e para sempre!
O último ano tem sido escasso não apenas na aquisição de livros mas em leituras… uma espécie de “pausa sabática” que quero quebrar.

Há muito que não entrava numa livraria e parava para ver as novidades e passar os olhos com a devida atenção aos livros. Hoje foi o dia…

2018 e ao que lembro foi dos anos que menos li… ou melhor não li, mas há livros que conto ler até ao final do ano, séries que acompanho e que não poderei perder, é por aqui que irei começar, são estes os livros que gostaria de ler atá ao final do ano.

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O CASTIGO DOS INOCENTES – (Série Sebastian Bergman – Volume 5)
Michael Hjorth Hans Rosenfeldt 

o castigo dos inocentes

O REGRESSO DE SEBASTIAN BERGMAN

A estrela de um reality show é encontrada morta numa escola, com um disparo na cabeça. Amarrado a uma cadeira de sala de aula, posicionado de frente para um canto, com orelhas-de-burro. Um exame longo, de várias páginas, pregado na parte de trás da cadeira. A julgar pelo número de respostas erradas, a vítima falhou no teste mais importante da sua vida.

Esta morte será o primeiro de uma série de assassinatos contra várias personalidades dos media e o Departamento de Investigação Criminal é chamado. Lutam para encontrar provas e finalmente Sebastian Bergman descobre pistas em chats e cartas anónimas publicadas em jornais. O autor das cartas opõe-se à falta de educação entre os modelos da nova geração e fala muito sobre os assassinatos. Sebastian desafia-o e fica claro que o seu oponente sem rosto tem informações sobre os assassinatos a que ninguém além da polícia —e do assassino —tem acesso.

Neste novo caso Sebastian Bergman e sua equipa enfrentam um serial killer complexo e tortuoso, que ameaça a própria existência da equipa.

 

O CAÇADOR– (Série Joona Linna – Volume 5)
Lars Kepler

o caçador

A noite tinha acabado de cair, quando Sofia entra numa mansão nos arredores de Estocolmo, onde o seu cliente – um homem muito abastado que nunca viu – a espera. Talvez seja por isso que Sofia avança furtivamente, como um animal selvagem. Enquanto atravessa o grande salão, tentando memorizar todos os detalhes, Sofia não imagina quem é o homem que a escolheu para aquela noite. Nem ele imagina que dentro em breve se encontrará frente a frente com um assassino implacável e meticuloso, que não deixa vestígios nem pistas.

Limitar o círculo de eventuais alvos torna-se um verdadeiro pesadelo para a Polícia, embora na mira se encontrem personalidades proeminentes do país. E, para tentar resolver o mistério, a Polícia terá de contar com a ajuda do ex-comissário Joona Linna, há dois anos a cumprir pena na prisão de alta segurança de Kumla. Infiltrado e trabalhando em estreita parceria com a agente especial Saga Bauer, Joona Linna tudo fará para travar «o caçador» antes que seja tarde de mais ou que o caçador os cace a eles…

O DESAPARECIMENTO DE STEPHANIE MAILER
Joël Dicker

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Na noite de 30 de Julho de 1994, a pacata vila de Orphea, na costa leste dos Estados Unidos, assiste ao grande espectáculo de abertura do festival de teatro. Mas o presidente da Câmara está atrasado para a cerimónia… Ao mesmo tempo, Samuel Paladin percorre as ruas desertas da vila à procura da mulher, que saiu para correr e não voltou. Só para quando encontra o seu corpo em frente à casa do presidente da Câmara. Dentro da casa, toda a família do presidente está morta.

A investigação é entregue a Jesse Rosenberg e Derek Scott, dois jovens polícias do estado de Nova Iorque. Ambiciosos e tenazes, conseguem cercar o assassino e são condecorados por isso. Vinte anos mais tarde, na cerimónia de despedida de Rosenberg da Polícia, a jornalista Stephanie Mailer confronta-o com uma revelação inesperada: o assassino não é quem eles pensavam, e a jornalista reclama ter informações-chave para encontrar o verdadeiro culpado.

Dias depois, Stephanie desaparece.

Assim começa este thriller colossal, de ritmo vertiginoso, entrelaçando tramas, personagens, surpresas e volte-faces, sacudindo o leitor e impelindo-o, sem possibilidade de parar, até ao inesperado e inesquecível desenlace.

O que aconteceu a Stephanie Mailer?
E o que aconteceu realmente no Verão de 1994?

O SILÊNCIO DA CIDADE BRANCA
Eva G. Saénz de Urturi 

O SILÊNCIO DA CIDADE BRANCA

Vinte anos depois, a cidade de Vitoria volta a ser assolada por uma série de assassinatos macabros. São em tudo iguais aos crimes do passado. Mas há um pequeno senão: o suposto assassino está preso.

Na altura a imprensa chamou-lhes Os Crimes do Dólmen. Porque foi num dólmen que encontraram as primeiras vítimas: dois recém-nascidos unidos num abraço macabro. Seguiram-se várias outras mortes, encenadas com requinte em monumentos históricos. Tinham sido crimes quase perfeitos. Mas o assassino – um arqueólogo brilhante – acabou por ser apanhado, pelo seu não menos brilhante irmão gémeo, então inspetor da polícia. Caso encerrado. Ou talvez não. na altura Unai era adolescente. Vivia obcecado com os crimes, mas aterrorizado com a perspetiva de ser a próxima vítima.

Passados vinte anos, tornou-se um profiler implacável, especializado em assassinos em série. e quando o chamam à Catedral Velha de Vitoria, um calafrio percorre-o. nos claustros encontra dois cadáveres e a mesma arrepiante encenação: nus, abraçados, com abelhas vivas na garganta… Mas pistas, nenhumas.

Unai, dá início à caçada. e as suas investigações levam-no a mergulhar a fundo na história da cidade, nos seus antiquíssimos mitos, lendas, segredos.
Thriller arrepiante, que vendeu meio milhão de exemplares em Espanha, envolve o leitor numa cidade fascinante, Vitoria, que já tinha servido de cenário e inspiração a Os Pilares da Terra, de Ken Follet.

Leituras: Segredos da Praia das Camarinhas

SEGREDOS DA PRAIA DAS CAMARINHAS

SEGREDOS DA PRAIA DAS CAMARINHAS | CLARA CORREIA
Artigo Página a Página – 13/3/2013

Numa altura em que a autora Clara Correia se prepara para lançar o seu 2º Romance “Teias Movediças” recupero uma opinião que publiquei no Página a Página, acerca de “Segredos da Praia das Camarinhas” o seu livro de estreia.

Tenho um profundo respeito por quem sabe esperar o seu momento…. ao contrário de mim que sou um gato impulsivo por natureza, gosto de dar saltos bem altos e por vezes no escuro.
Admiro a persistência de quem não desiste, a resistência de quem sabe que o seu momento chegará.
Clara Correia é uma dessas pessoas. Uma grande contadora de estórias que tenho a certeza que colherá mais tarde ou mais cedo os seus frutos.
Palavra de Gato!

No meio de tantos livros que nos vêm parar ás mãos, surgem por vezes pequenas surpresas, este “Segredos da Praia das Camarinhas” é um desses livros e foi seguramente uma agradável surpresa.

O tema não é nenhuma novidade e segue claramente o habitual e tradicional percurso de um livro de suspense e mistério. No entanto houve alguma coisa neste pequeno livro que me surpreendeu bastante (pela positiva).

Tive no entanto alguma dificuldade em opinar sobre ele, resistindo à tentação de fazer comparações com outros livros do género.

CLARA CORREIASe existe dificuldade na opinião após a leitura de um livro que se gostou, quer dizer que a estória marcou e venceu por si própria e que algures nas entrelinhas houve um factor importante e determinante que marcou e primou pela diferença. Afinal quais são os factores que tornam determinado livro num livro especial? Revi mentalmente o livro, voltei a pegar-lhe, folheando de novo as suas páginas em busca de algo que me ajudasse a explicar o que de tão extraordinário teve um livro como este. Sabemos de ante-mão que o mais importante é a qualidade e não a quantidade e acredito piamente que a autora Clara Correia tenha seguido à risca essa velha máxima.

A diferença entre este e outros livros do seu género é que é um livro “nosso” escrito e pensado em Português e sem muitos  floreados, vai directo ao assunto, nem demasiado depressa, nem demasiadamente devagar. É certo que existem muitos livros em Português, e muitos livros que seguem esta linha, mas nem todos conseguem fazer passar a mesma mensagem. A forma e a fórmula que a autora usou para contar esta história, foi o que mais me cativou, ainda mais do que a estória em si mesma. Nota-se claramente que Clara Correia colocou muito de si própria neste trabalho, o que vem conferir um crédito não só à narrativa, mas principalmente aos personagens, tornando-os reais e credíveis, (demasiadamente reais) o que são óptimos augúrios para uma primeira incursão neste género literário. A autora soube marcar pela diferença e soube sobretudo passar essa sensação ao leitor, envolvendo-o numa “teia”  calmamente e bem tecida.

Os nomes próprios, as situações vividas e descritas, as zonas conhecidas da cidade ou a forma de estar e de “falar” dos personagens, levam-nos rapidamente a entrar na estória de Clara Correia, como se fizesse-mos parte da própria acção. A rapidez de integração e as semelhanças entre a vida dos personagens e a vida do nosso melhor amigo, foram meio caminho andado para facilitar o apego e a identificação dos mesmos connosco próprios.

Nesta opinião, estou a tentar ao máximo não falar sobre a história, que é parecida a tantos outros livros do género, para não estragar a surpresa de quem o queira ler, mas tal é quase impossível.

Henrique é o personagem central da estória, um escritor com alguma projecção e reconhecimento no seu trabalho e que tenta escrever um novo livro, encontra-se porém numa fase complicada da sua vida pessoal o que o leva a um bloqueio total. Incentivado por Augusto, o seu (ambicioso) editor, decide partir para um local isolado, para em paz e longe dos problemas e da agitação citadina, tentar enfim, quebrar o bloqueio que tanto o apoquenta. Na personagem de Daniel um professor e velho amigo de Henrique, reconheci uma certa semelhança com os professores deste nosso país, e uma certa semelhança com a sua forma de ver e criticar (com razão) o estado em que se encontra a nossa educação. Não quero estar a tentar adivinhar, mas tenho quase a certeza que nesta parte a autora deu, muito de si à narrativa. (não conheço a autora, sei apenas que é uma entre os milhares de docentes em Portugal) Henrique parte então para um local não demasiado longe, mas suficientemente isolado da grande cidade e dos problemas que o levaram a “fugir” da sua prisão e rotina.

Procurei em vão num mapa pela Praia das Camarinhas e não encontrei qualquer lugar com esse nome, fiquei curioso, pois conheço relativamente bem a zona onde se desenrola a acção deste livro. Não sei se o nome é ficcionado ou não? No entanto revi-me bastante naqueles lugares  isolados e identifiquei os típicos habitantes locais, prestáveis para com os forasteiros, sempre à procura de uma forma de fazer mais um pezinho de meia, boas pessoas, mas demasiadamente “curiosos” pela vida alheia, principalmente quando se trata de “gentes da cidade”.

Personagens bem estruturados, bem desenvolvidos, bem reais, bem nossos,  foram sem dúvida a parte mais importante e aquilo que mais me marcou nesta “Praia das Camarinhas”: A empregada da limpeza aquela que já faz parte da família, a ex-mulher que ama, mas ama também a sua profissão e a sua independência, a Dona Otília e os seus misteriosos chás, a Joaquina Adão uma mente progressista, numa terra de gente tacanha e claro os garanhões da terra, não poderiam faltar. Como sempre neste género de livros, só respiramos quase no fim… e aqui foi a única parte do livro em que teria “estendido” mais um bocadinho, “o mau da fita” descobre-se demasiado cedo Clara Correia, tinha tudo para poder esticar um pouco mais o cordel e suspeitos não faltam neste livro, até o mais inocente poderia estar na origem do destino de Henrique… (e mais não vos conto)

Este livro nada fica a dever aos famosos thrillers  que por via de uma máquina gigante de propaganda conseguem vencer, muito antes de serem lidos, uma escrita “Clara” de quem domina a língua e sabe contar uma história.

Em termos de revisão de texto “nota 20″ quando comparado com outro livro que li desta editora, creio que terão mudado o revisor (em boa hora o fizeram).

Recomendo este livro sem quaisquer reservas. Gostei muito.

Sinopse: “Em plena crise sentimental e de criatividade, um escritor instala-se, temporariamente, numa pequena vila piscatória, onde não tarda a iniciar o seu novo livro, enquanto se deixa cativar por uma bela rapariga e pela simplicidade da comunidade local. Mas, à medida que começa a desconfiar das aparências, está longe de imaginar que está prestes a viver a sua mais terrível experiência…”