Dos Livros… Samuel F. Pimenta

 

Nunca compreendi a razão de baixar a cabeça diante de uma imagem para demonstrar respeito ou humildade.
Eu não baixo a cabeça, nunca, nem diante de uma imagem, nem diante de ninguém.
Eu sou vertical. (…)
Talvez por isso nunca tenha seguido verdadeiramente uma religião, além da minha própria consciência.
A minha fé sou eu.

Samuel F. Pimenta
In: Iluminações de uma Mulher Livre (2017)

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Os Números que venceram os Nomes – Samuel Pimenta

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Impuseram-se os números dos cartões, os números das casas, os números dos processos, os números das contas bancária, os números das cidades, os números das estradas, os números das estatísticas, os números que, afinal de contas, eram pessoas. Um dia Um Nove Um Seis tem uma crise. E é internado no hospício onde a pergunta o persegue: O que é um nome?

* * *

os numeros que venceram os nomes“Os Números que Venceram os Nomes”, marca a minha estreia com a escrita de Samuel Pimenta de quem apenas tinha lido alguns textos soltos e alguns artigos publicados.
Estive presente no lançamento na FNAC/Chiado a 17 de Setembro de 2015, onde tive o prazer de poder “espreitar” de perto o que tinha para dizer aos seus leitores este jovem autor. A maturidade com que apresentou e falou desta obra foi o que mais saltou à vista.
Este lançamento foi duplamente proveitoso e feliz para mim, acabei por encontrar duas “velhas” amigas a Márcia e Patrícia (Planeta Márcia) e (Ler Por Aí) respectivamente.
No lançamento deste Romance tive também o gosto de poder contar com as amigas Carmen e Katerina ambas com o gosto pela Leitura e entusiastas apreciadoras da escrita do Samuel.

A sinopse extremamente interessante convenceu-me a trazer comigo o Livro que foi simpaticamente autografado pelo Autor.

Após uma ou duas horas bem passadas em amena e produtiva conversa com as “Rodistas” Márcia e Patrícia, voltei para casa e como nesse dia não trouxe carro para Lisboa, apanhei o barco com destino à outra margem do Tejo, tempo suficiente para iniciar a leitura de “Os Números que Venceram os Nomes”. No pouco tempo que levei na travessia do rio para a outra margem, envolvi-me de tal forma com este romance que já não o consegui largar nessa noite.
A Acção passa-se num período indefinido do futuro, (supostamente longínquo), Uma sociedade tecnologicamente avançada, Guerras, Doenças, Religiões, são coisas do passado, já não existem. Os homens são números, as ruas são números, os nomes são números. Uma sociedade controlada, onde não existe memória ou lembranças… Apenas números.
A fazer lembrar ao de leve o Clássico de Orwell (o famoso Big brother de 1984) este romance vai bem mais além do controlo absoluto dos movimentos dos cidadãos. Ultrapassa e esquece a memória, alimentando máquinas, não gente.
Mas alguns pormenores que à partida nos poderão parecer absurdos, irrealistas e muito pouco prováveis de acontecerem fazem com que o leitor pense bastante acerca da actual realidade: Estará esse futuro assim tão longe?
Qualquer semelhança, com o percurso que a Humanidade começa largos a percorrer, não está assim tão distante da acção de “Os Números que Venceram os Nomes”.

O quebrar das Regras, Fé, Resistência, Descoberta e o Não Conformismo são os ingredientes que agarram o leitor de frente. Um livro que fluí página a página para dentro da alma. Um Futuro desconhecido demasiado próximo com o presente. O poder de um Nome.

“Os Números que venceram os Nomes”é de tal forma envolvente que quando chegado o final, o leitor fica à espera de mais… (pelo menos no meu caso soube-me a pouco). Mas como já o disse algumas vezes: «Quem não é capaz de o fazer em pequeno, jamais será capaz de o fazer em grande».
Samuel Pimenta vai para lá do grande, para mim é seguramente um dos melhores livros em Língua Portuguesa de 2015.

Boas Leituras.

 

Lançamento de “Os Números que Venceram os Nomes”
FNAC/Chiado 17 de Setembro de 2015
Fotografias partilhadas por Samuel Pimenta

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SINOPSE:
O que é um nome? — A pergunta ressoou por toda a divisão, embateu nas paredes e voltou ao emissor sem obter resposta. Um Nove Um Seis estava sentado na única cama do quarto número onze do hospício. Via as paredes do quarto a girar como se tivessem sido empurradas por uma criança que brinca com um globo terrestre pela primeira vez. Além disso, sentia-se como se estivesse de olhos abertos debaixo de água, estava tudo turvo. Era efeito dos fortes medicamentos. Sentado numa cadeira ao lado da cama, um médico observava-o de testa plissada, enquanto segurava uma folha no colo, onde fazia algumas anotações.

1ª edição 2015 | Marcador
ISBN:  9789897541766