mj cake

Um dia…

“One day you’ll leave this world behind, so live a Life you will Remember”

Que nunca deixes apagar esse teu sorriso que nos encanta hoje, tanto quanto noutro dia qualquer.
Teu.

Explicação da Eternidade

“Devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.

por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe”.

(José Luís Peixoto) in “A criança em Ruínas”

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MJ’s Birthday em 2015

josé luis peixoto

Memória a curto prazo – José Luís Peixoto

Um dos melhores (senão o melhor) escritores Portugueses da sua geração, publicou em Maio na GQ um artigo muito interessante carregado de entre-linhas que republicou recentemente na sua Página Pessoal e que aqui transcrevo.

De uma pertinência e qualidade inquestionável vale a pena reflectir um pouco sobre o assunto.

José Luís Peixoto, nasceu em 1974 em Galveias dedica-se profissionalmente à escrita desde 2000, trabalhou como professor na cidade da Praia (Cabo Verde) e em várias cidades de Portugal.
É Vencedor do prémio José Saramago 2001 com o Livro “Nenhum Olhar”
É o autor que leio no momento, com a impressionante descrição da  viagem à Coreia do Norte com “Dentro do Segredo”

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MEMÓRIA A CURTO PRAZO
Por: José Luís Peixoto

Perdemos a capacidade de explicar às gerações mais novas como era antes. Podemos iniciar essa tentativa mas, ao fim de minutos, ou nos confundimos e começamos a divergir, ou eles se desinteressam e começam a escutar música de elevador dentro da cabeça, ou talvez escutem aquele ruído estático de quando os canais de televisão não emitiam programas durante vinte e quatro horas por dia, aquela imagem de grão cinzento que quase esquecemos também.

É normal que os mais jovens deixem de nos prestar atenção, é sempre assim quando alguém começa a falar uma língua que não entendemos. Raramente nos sentimos tão sozinhos como num jantar de polacos. Também é normal que nos falte coerência e articulação, fomos soterrados pelo tempo.

Parecia controlável, era incontrolável.

Hoje, os telemóveis são pequenas extensões do mundo ou, com mais probabilidade, de nós próprios. Há realidades e paisagens que apenas existem na internet, mergulhamos nelas. Com o telemóvel na mão, de repente, deixamos de ser um corpo com vontade e propósito, passamos a ser um objecto que está ali, um obstáculo com volume e textura, mas cuja existência está noutro lugar qualquer. Há muito que deixou de ser notícia a imagem de toda a gente nos transportes públicos a ver o telemóvel, toda a gente na sala de espera a ver o telemóvel.

Num esforço da memória, admiramo-nos com o tamanho dos primeiros aparelhos, com o gesto que tínhamos de fazer para puxar a antena quando recebíamos uma chamada, com aquele toque irritante da Nokia. Estas lembranças impressionam-nos, sobrepomo-las a tudo o que sabemos agora. Levamos no telemóvel a internet: a possibilidade de contactar todos com quem já nos cruzámos, um escritório inteiro e distrações para todos os gostos, para todos os likes.

Agora, a esta distância, olho com uma certa ternura para aqueles que, nos anos noventa, juravam que nunca iriam ter telemóvel. Insurgiam-se contra a obrigação de estarem sempre contactáveis, achavam (com razão) que perdiam liberdade. Hoje, essa ideia desapareceu. Agora, ninguém quer estar incontactável. Preocupamo-nos de morte quando sabemos que algum amigo nosso está incontactável. Sem pensarmos muito nisso, sem debate, damos por garantido que os telemóveis salvam vidas. Hoje, se alguém garante que ficou sem rede ou sem bateria, pensamos: mentiroso, adúltero.

Aqueles que juravam que nunca iam ter telemóvel são como os romanos que permaneceram na Península Ibérica depois da chegada dos árabes, são como os árabes que se deixaram ficar após a chamada “reconquista cristã”. Ou, com mais precisão, são como os cristãos-novos, os judeus que, no século XV, foram obrigados a converter-se ao cristianismo.

De nada vale dizer-lhes: eu bem te avisei. Com mais certeza, se não tiverem esquecido completamente quem eram, serão eles a dizer-nos essa mesma frase.

Ao contrário do que se costuma afirmar, a internet não é para sempre. Em poucos lugares os assuntos envelhecem tão depressa. Ao fim de algumas semanas, já ninguém quer ver a sex-tape da estrela do maior reality show do momento; ao fim de alguns meses, já ninguém sabe quem essa pessoa é.

Seguramente que a memória não ficará salvaguardada nas redes sociais. As redes sociais são feitas de presente. Nelas, o passado desaparece da forma mais absoluta de todas: perde significado.

Os adolescentes passam as reuniões de família a olhar para o telemóvel. Um dia, estes adolescentes serão pais em reuniões de família. Para onde irão olhar os adolescentes do futuro?

In GQ, Maio de 2016

José Luís Peixoto no: Página a Página

O melhor incentivo que alguém pode dar…

Há textos que chegam na hora e no dia certos, quando precisamos ou simplesmente nos revemos.
Assim sem aviso, palavras que que parecem ter sido escritas para nós.

Há dias assim, há coisas assim.
Obrigado ao amigo Gil Nascimento pelo “Casuísmo”

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Por mais que sejamos fortes, confiantes e seguros, sempre irão existir aqueles momentos em nossa vida, em que teremos duvidas sobre a nossa capacidade, em que não confiamos na nossa própria força, em que desconfiaremos da nossa perseverança, e que estaremos em sintonia com a nossa falta de fé em nós mesmos.
Por mais resistente que seja a casca, nunca sabemos o quão frágil pode chegar a ser o conteúdo interno.
E quando somos golpeados por todos esses péssimos sentimentos, o que seria de nós nesse mundo, se não fossem os nossos familiares e amigos nos dando força e incentivo, naqueles tristes momentos de insegurança que insistem em nos afligir?
Já mencionei várias vezes aqui que sou péssimo com decisões, então sempre valorizei muito esse tipo de ajuda, principalmente porque sou impulsivo, quando uma dúvida me tortura, praticamente jogo cara e coroa pra tomar uma decisão, se não houver ninguém por perto para me impedir.
Ainda assim estou seguindo em frente, sempre com 50% de chances de que as coisas dêem certo, e a mesma probabilidade de que dê tudo errado, graças a essa impulsividade. Mas e quem não é assim?
Porque a maioria das pessoas travam quando estão em dúvida, pelo medo de arriscar e acabar pegando o caminho errado.
Aconteceu isso recentemente com um amigo meu, ele havia chegado numa parte da estrada em que ela se dividiu em uma bifurcação, e ele simplesmente não sabia por qual caminho seguir.
De um lado ele tinha um caminho seguro, que resolveria os seus problemas atuais, de maneira simples e eficaz.
E do outro ele tinha um caminho mais conturbado, cheio de curvas sinuosas, buracos na estrada, mas que continha durante o trajeto a vista da qual ele queria se lembrar, porém ele não tinha certeza se era um motorista capacitado para seguir tal caminho.
Essa dúvida e essa insegurança estavam acabando com ele.
Quando me ligou para me contar e perguntar o que eu achava que ele deveria fazer, praticamente todos os nossos amigos, e seus familiares já haviam dito a mesma coisa que eu acabei lhe dizendo, que deveria seguir seu coração, confiar mais em si mesmo e na força que tem e desconhece, e seguir aquele caminho que o deixaria feliz, pois não valeria a pena alcançar um objetivo se não houvesse o sabor da satisfação no final, e que não valeria a pena também sacrificar um sorriso sequer, por causa de um caminho mais simples.
Quantas vezes fazemos isso, não é mesmo?
Pegamos um caminho mais fácil, para chegar ao mesmo destino do caminho mais difícil, mas a nossa alegria e o sabor da conquista ficam lá atrás, no exato ponto em que paramos na bifurcação, sofremos com a dúvida, e acabamos por escolher a rota com menos riscos.
Alguns diriam que é eterna luta entre o coração e o cérebro, quando paramos diante dos dois caminhos que temos para seguir, o cérebro indica o caminho mais simples, o coração aponta para o caminho mais complicado, o cérebro quer evitar dor de cabeça, e o coração quer acelerar e sentir a adrenalina.
E a gente nunca sabe qual dos dois devemos ouvir, afinal, ambos sempre possuem ótimos argumentos. Nesse momento entram as pessoas em quem confiamos em pedir suas opiniões.
Com o meu amigo que citei, após ter falado comigo, nada mudou, ele continuava se corroendo em dúvidas e sem saber qual trajetória tomar, por mais que todos tenham dito a mesma coisa, que no caso seria para ele seguir o coração e encarar um pouco de adrenalina, para não ter que deixar para trás parte da sua felicidade em troca de um pouco de segurança.
E então tive certeza sobre uma das grandes verdades do mundo, da qual já suspeitava por experiência própria.
Meu amigo seguiu seu coração  no final, e até então está ótimo e feliz, além de satisfeito, mas ele não fez isso porque enchemos ele de palavras motivadoras, e inflamos seu ego falando sobre a sua capacidade, ele tomou essa decisão no primeiro momento em que alguém disse que o melhor caminho para ele era o mais simples e fácil, pois não achava que ele tinha capacidade de encarar o caminho mais difícil, superar os obstáculos, e ainda se dar bem no fim da história.
E essa é uma das grandes verdades do mundo, não existe melhor incentivo e injeção de força e confiança, do que uma pessoa que duvide que nós sejamos capazes

Casuísmo

Por mais que sejamos fortes, confiantes e seguros, sempre irão existir aqueles momentos em nossa vida, em que teremos duvidas sobre a nossa capacidade, em que não confiamos na nossa própria força, em que desconfiaremos da nossa perseverança, e que estaremos em sintonia com a nossa falta de fé em nós mesmos.
Por mais resistente que seja a casca, nunca sabemos o quão frágil pode chegar a ser o conteúdo interno.
E quando somos golpeados por todos esses péssimos sentimentos, o que seria de nós nesse mundo, se não fossem os nossos familiares e amigos nos dando força e incentivo, naqueles tristes momentos de insegurança que insistem em nos afligir?
Já mencionei várias vezes aqui que sou péssimo com decisões, então sempre valorizei muito esse tipo de ajuda, principalmente porque sou impulsivo, quando uma dúvida me tortura, praticamente jogo cara e coroa pra tomar uma decisão, se não houver ninguém…

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Cidades de Papel – Lady in Red

“É demasiado difícil ir embora – até se partir de facto.
E então ir embora, torna-se simplesmente a coisa mais fácil do mundo.”
(Cidades de Papel)

cidades de papel

Cidades de Papel, adaptação do livro de John Green autor de A Culpa é das Estrelas, Valeu pela nostalgia que me causou “The Lady in Red”.
Haverá alguém da minha geração que pare um pouco para ouvir uma das maiores lamechiches dos anos 80?

Quanto ao filme? fraquinho, fraquinho.

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A Dor é inseparável da Alegria… Ainda o Pintassilgo

«É capaz de te surpreender, Theo, que coisas pequenas, de todos os dias, possam tirar-nos do desespero. Mas ninguém o pode fazer por ti.
És tu que tens que estar atento à porta aberta.»

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In: O Pintassilgo – Donna Tartt
Edição Portuguesa – (p. 195)

O Pintassilgo – Donna Tartt

«Porque é que eu sou como sou? porque é que me importo com todas as coisas erradas e não me importo nada com as coisas certas?  (…) como é que eu consigo ver tão claramente que tudo o que amo ou que me interessa é ilusório e no entanto – para mim, pelo menos – tudo aquilo por que vale a pena viver reside nesse encanto? (p. 881)

«Afasta-te das pessoas que amas demasiado. São essas que te vão matar.» (p. 690)

* * *

o pintassilgoO Pintassilgo marca a minha estreia e a dos leitores Portugueses com o trabalho da Americana Donna Tartt cujo a estreia aconteceu no romance “A História Secreta” em 1992 e publicado em Portugal em 2015.
Este livro que à partida poderá assustar pelo seu descomunal tamanho (895 páginas), foi-me oferecido pelo meu aniversário em 2014 e foi uma leitura que fui adiando, adiando e que finalmente aconteceu este ano, quando já toda a gente o tinha lido!
Foi uma leitura sem pressas e que me ocupou praticamente um mês inteiro (Maio e Junho de 2016).
Inicialmente não “atinei” com o modo confuso como a autora lançou personagens e história que arranca anos depois da tragédia descrita na sinopse. Essa mesma tragédia é um pouco confusa e que a páginas tantas não se percebe bem se é uma memória de um Theo adulto ou se a história entrou finalmente no trilho pretendido.
Esta parte é deveras confusa e só se entende mais à frente quando após umas boa páginas lidas, regressamos à introdução para tentar perceber melhor (se no fundo percebemos tudo).
Estranho? sim… mas foi assim a minha experiência.

Após este inicial “percalço” entrei de corpo e alma na leitura de O Pintassilgo, que se veio a revelar uma leitura fenomenal e de uma intensidade que por vezes me fez abrandar e recuperar o fôlego.
Repleto de pensamentos e momentos absolutamente geniais esta obra não se resume apenas a meia dúzia de adjectivos.
Sobrevivência, Segredos, Ambição, Segredos, Hipocrisia, Transformação, Desonestidade, Segredos, Salvação. Tudo aquilo que descreve a minha experiência com este livro. (a palavra “Segredos” não está aqui ao acaso, nem repetida por engano). Todos nós temos segredos! e todos nós nos fazemos por vezes acompanhar e enredar por segredos que maiores ou menores nos levam muitas vezes a entrar por mares nunca dantes navegados e em túneis obscuros e perigosos do qual dificilmente conseguiremos encontrar saída.

Sofremos, vivemos e transformamo-nos com Theo à medida que vamos crescendo ele. De pequeno e vulnerável rapaz a adolescente irresponsável, Até que descobrirmos um adulto detestável que pensávamos conhecer.

Se por um lado, tentamos compreender os motivos que levam Theo Decker a seguir por determinado caminho, por outro, existe uma vontade incontrolável de o castigar pelas suas escolhas.

Escolhas, algo que define aquilo que queremos ser, daquilo que somos. Algo que define Theo e que define O Pintassilgo.
Repleto de personagens, lugares comuns e frases soberbas, este é um livro que me deu muito prazer ler. Não sei se o melhor… mas até agora uma das melhores leituras do ano.

Continuação de bons Livros para ler!

o pintassilgo

Imagem: Aguarela de: Francisco Charneca

LIVRO VENCEDOR DO PRÉMIO PULITZER 2014

SINOPSE:
Quando Theo Decker, nova-iorquino de treze anos, sobrevive milagrosamente a um acidente que mata sua mãe, o pai o abandona e a família de um amigo rico o adota. Desnorteado em seu novo e estranho apartamento na Park Avenue, perseguido por colegas de escola com os quais não consegue se comunicar e, acima de tudo, atormentado pela ausência da mãe, Theo se apega a uma lembrança poderosa de seu último momento ao lado dela: uma pequena, misteriosa e cativante pintura que acabará por arrastá-lo ao submundo da arte.

Já adulto, Theo circula com desenvoltura entre os salões nobres e o empoeirado labirinto da loja de antiguidades onde trabalha. Apaixonado e em transe, ele será lançado ao centro de uma perigosa conspiração.
O pintassilgo é uma hipnotizante história de perda, obsessão e sobrevivência, um triunfo da prosa contemporânea que explora com rara sensibilidade as cruéis maquinações do destino.

1ª edição Setembro 2014 | Presença

ESTA E OUTRAS OPINIÕES DE LEITURA TAMBÉM NO:

página 2

Apressa-te devagar

É o Passado que dá forma ao mundo
O Futuro não existe

134. Apressa-te Devagar

Frase: Jim Crace in: Morte nas Dunas
Fotografia: Released on: 2015/06/05

© – Nuno Chaves | Fotografia
Carrasqueira | Herdade da Comporta
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

THINK OUTSIDE THE BOX

– Quantas vezes quebraste as regras?  Regras limpas, sem batotas, sem trapaças. Regras instituídas e supostamente correctas, Quantas vezes? Só porque sim, só porque tem de ser.
– Quantas vezes quebraste as regras?
– Quantas vezes jogaste limpo? quantas vezes jogaste certo e foste o perdedor?

Pensa fora das regras, pensa fora da caixa.

Pensa fora de ti, fora dos outros, fora de tudo, fora do mesmo.
Pensa fora do certo nos momentos incertos, pensa direito, pensa ao contrário e quebra as regras se necessário.

Nuno Chaves 22 Julho 2016

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IMAGEM:
T-shirts da T-shirts and all, à venda no nº 148 da Rua da Prata na baixa de Lisboa.